Brasília - Pesquisa Ibope divulgada ontem pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) revelou que 31% dos entrevistados consideram o governo federal o principal responsável pelos conflitos fundiários do país. Na sequência, os entrevistados responsabilizaram os sem-terra (16%), os fazendeiros (15%) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (11%) pelos problemas.
Ontem, ao tomar conhecimento dos dados da pesquisa, ruralistas ouvidos pela reportagem atacaram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e responsabilizaram a ''conivência'' do Planalto diante da ação de ontem que danificou instalações do horto florestal da Aracruz Celulose, no interior do Rio Grande do Sul.
No levantamento, realizado com 2.002 pessoas entre 16 e 20 de fevereiro, portanto antes da atual onda de ações pelo país, 67% dos entrevistados avaliam que o governo Lula não tem controle diante das invasões. A parcela que vê o contrário ficou em 21%.
''Não há surpresa com os números. A sensação de prejuízo com essas ações cresce a cada dia no país'', afirmou o vice-presidente da CNA, Rodolfo Tavares.
E a ação na Aracruz deve render problemas ao economista João Pedro Stedile, um dos coordenadores nacionais do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Hoje, a UDR (União Democrática Ruralista) promete entrar com uma representação contra ele na Procuradoria Geral da República. ''O que ocorreu é um absurdo que ultrapassa todos os limites da lei'', disse o presidente da entidade, Luiz Antonio Nabhan Garcia.
A pesquisa Ibope também trouxe um dado preocupante ao PT e ao presidente Lula. Em resposta espontânea sobre a eventual ligação do MST a algum partido político, 19% apontaram o partido do presidente. PSDB, PC do B e PMDB aparecem com 1% cada.
Já João Bosco Leal, presidente do MNP (Movimento Nacional de Produtores), lamenta o isolamento dos fazendeiros diante das ações dos sem-terra. ''O pessoal das cidades precisa entender o que está acontecendo no mundo rural. Acho que só vão entender isso quando começarem a invadir fábricas e lojas de automóveis.''
O prejuízo causado pela depredação do horto florestal da Aracruz Celulose na manhã de anteontem por mulheres ligadas à Via Campesina, em Barra do Ribeiro (RS), pode chegar a milhões de dólares, disse a empresa.
Preocupado, o governo gaúcho tentava evitar a perda de um investimento de US$ 1,2 bilhão mostrando agilidade nas investigações. O governador interino, Antônio Hohfeldt (PMDB), anunciou que seis dos 37 ônibus que conduziram os invasores já tiveram as placas identificadas.

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