Brasília, 10 (AE) - O governo e os líderes dos caminhoneiros articularam uma ação conjunta para evitar que os motoristas insatisfeitos com o aumento no diesel e com o rumo das negociações possam iniciar paralisações espontâneas nas estradas brasileiras. Por um lado, o governo divulgou na segunda-feira uma nota dura ameaçando interromper as negociações caso ocorresse mais uma greve. Já os líderes da categoria procuram dar declarações públicas dizendo que não haverá novas interrupções nas estradas. Os serviços de inteligência da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal já identificaram focos de insatisfação de caminhoneiros em São Paulo, Bahia, Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.
Alguns sindicatos independentes estão descontentes com a postura assumida nas negociações com o governo pelo porta-voz do Movimento União Brasil Caminhoneiros (UBC), Nélio Botelho, e estão articulando uma nova greve nacional para o final do mês. "Por enquanto não temos nada concreto, mas estamos acompanhando a movimentação", disse hoje o diretor-geral da PRF, Lourival Carrijo.
Somente no dia 20 deste mês o governo poderá ter a certeza se a perspectiva de haver uma nova greve se fortaleceu entre os caminhoneiros. Os serviços de inteligência estão fazendo suas sondagens nos postos de gasolina. Na segunda-feira, por exemplo, foi no "Postão de Aparecida", perto de Aparecida de Goiânia, em Goiás, que os motoristas articularam uma paralisação de 250 caminhões, por algumas horas.
"A adesão às paralisações dos caminhoneiros são de caráter solidário e principalmente solitário", avaliou hoje o secretário-executivo da Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Carga (NTC), Alfredo Peres. Segundo ele, o sucesso do movimento do final de julho, que quase parou o País, deve-se principalmente à adesão individual dos motoristas, que já estavam insatisfeitos com suas condições de trabalho. "Isto ocorre em todas as greves de caminhoneiros do mundo", disse Peres.
Segundo uma autoridade ligada ao Palácio do Planalto, a principal preocupação dos líderes dos caminhoneiros e do próprio governo é evitar que a possibilidade de nova greve se alastre entre a categoria. Neste caso, o entendimento é que uma nova paralisação poderia sair do controle dos líderes do movimento, o que forçaria o Palácio do Planalto a cumprir a ameaça de usar o exército para reestabelecer a ordem. Assim, os chefes da categoria sairiam desmoralizados e o governo perderia seus articuladores.
Com base neste cenário, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos da Região Sul, Éder Dallago, anunciou hoje que as negociações estão em andamento e que não existe a possibilidade de novas paralisações. O mesmo discurso foi adotado na segunda-feira pelo porta-voz do Movimento União Brasil Caminhoneiro (UBC), Nélio Botelho. Segundo ele, os motoristas estão satisfeitos com as conversas com o governo.
O governo decidiu marcar posição a favor das negociações
deixando claro que não serão toleradas novas greves. No início da noite da segunda-feira, os ministros do Transportes, Eliseu Padilha, e da Justiça, José Carlos Dias, divulgaram nota afirmando que as ameaças de novas paralisações de caminhoneiros são "absolutamente injustificáveis". "Buscar nova paralisação significará romper as negociações e jogar tudo fora apenas para atender a interesses pessoais", afirmou a nota dos ministros.

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