Porto Alegre, 22 (AE) - Se o governo federal confirmar o bloqueio dos financiamentos internacionais ao Rio Grande do Sul, conforme anunciado ontem pelo Ministério da Fazenda, o governo gaúcho recorrerá à Justiça e às mobilizações populares para enfrentar a medida. "Não trabalhamos sob ameaça nem intimidação e não vamos nos encastelar no poder", disse hoje o secretário da Casa Civil do Estado, Flávio Koutzii.
Depois de uma reunião do secretariado, que começou às 8h30 e se estendeu até o meio-dia de hoje, o vice-governador gaúcho, Miguel Rossetto, disse que o documento divulgado ontem à noite pelo Ministério da Fazenda tem a intenção de "desviar a atenção" do País em relação à disparada do dólar. "A medida do ministério mostra a agudização da dependência internacional do governo brasileiro, que deixou de ser apenas econômica para se tornar também psíquica e ética", acrescentou Koutzii.
O governador Olívio Dutra (PT) participou da reunião, mas não falou à imprensa. Ao final, apesar das duras declarações, os secretários reafirmaram o desejo do governo estadual de renegociar os termos da dívida do Estado com a União. Ontem à noite, Olívio falou com Fernando Henrique Cardoso pelo telefone durante 20 minutos, quando o presidente lhe garantiu não ter tomado conhecimento prévio da nota do Ministério da Fazenda.
"O papel do ministério foi melancólico", disse Flávio Koutzii. Para o vice-govenrador Miguel Rossetto, "a nota enche de vergonha a nação brasileira e o povo gaúcho". Para o governo do Rio Grande do Sul, a declaração do Ministério da Fazenda foi "irresponsável e inverídica, pois mesmo depositando em juízo parte do pagamento da dívida deste mês com a união, o Estado continua em dia com suas obrigações.

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