Governo do RS pede a Pratini imposição de sobretaxas e cotas para 5 produtos
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 23 (AE) - O governo gaúcho pediu hoje ao ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, a imposição de sobretaxas e cotas para as importações de arroz, leite, trigo, cebola e alho, até mesmo as originárias do Mercosul.
A intenção é proteger a produção nacional e reverter o "achatamento brutal da renda dos agricultores", disse o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann. O ofício encaminhado pela manhã ao ministro não especifica o porcentual das taxas ou o tamanho e duração das cotas.
A idéia do governo estadual é, diante de uma "sinalização positiva" de Pratini, reunir produtores para contribuir na discussão dessas questões, informou o secretário. Como exemplo da situação dos agricultores, o secretário gaúcho citou o uso de 100 mil toneladas de trigo de boa qualidade na produção de ração animal no Estado.
Segundo ele, o Rio Grande do Sul produziu 700 mil toneladas do produto este ano, mas a comercialização está lenta por causa da falta de recursos, o que torna o trigo mais barato que o milho. "O acordo assinado pelo Brasil na Organização Mundial de Comércio (OMC) admite esses mecanismos de proteção, que nunca foram acionados pelo governo federal", disse Hoffmann.
De acordo com ele, o Ministério da Agricultura deve passar do "discurso bonito" para ações práticas em defesa da agricultura brasileira. Se não houver resposta positiva do governo federal ao pedido do Estado, o secretário promete reunir produtores e entidades, da Federação da Agricultura (Farsul) ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), num grande movimento para pressionar pela adoção das medidas.
"O grau de indignação dos agricultores é tão grande que basta os aglutinar para fazer a pressão." Hoffmann também pretende apelar para o apoio do Fórum Nacional dos Secretários da Agricultura, na próxima reunião, marcada para a segunda quinzena de janeiro, caso o governo federal não concorde em adotar as taxas e cotas sobre a importação dos cinco produtos.
Se a resposta for positiva, ele proporá aos demais Estados que façam estudos sobre os índices e prazos mais adequados e os apresentem ao ministério.


