Porto Alegre, 11 (AE) - O governo gaúcho divulgou hoje nota criticando a "imobilidade" da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no processo de transferência do controle da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).
Em comunicado publicado nos principais jornais do Estado
a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações afirma que o fato permitiu a redução dos investimentos da operadora de R$ 450 milhões para R$ 269 milhões no ano passado, quando a empresa apurou, "pela primeira vez desde 1992, um prejuízo expressivo de R$ 138 milhões".
"Há 18 meses, quando da compra da Telesp, o grupo TBS (liderado pela Telefônica), já sabia que, por determinação legal
deveria abandonar a gestão e o controle da CRT e, no entanto, essa medida veio sendo protelada até a data limite", diz a nota. Sábado passado (5) a administração da CRT foi transferida provisoriamente para a Tele Centro Sul (TCS), maior acionista minoritário da operadora e única que negocia a compra do controle da empresa com a Telefônica.
O comunicado do governo gaúcho reitera ainda a "urgência" de uma "efetiva auditoria" nas contas da CRT para apurar a responsabilidade da Telefônica sobre os prejuízos e a redução dos investimentos na companhia. O pedido foi feito pessoalmente pela secretária Dilma Rousseff ao presidente da Anatel, Renato Guerreiro, no início desta semana.
O governo, que detém 4% do capital votante da CRT, também reafirma sua "disposição" de assumir a gestão da empresa no período de transição para "assegurar o interesse público". O Executivo gaúcho considera "inadmissível" que a TCS administre provisoriamente a companhia enquanto negocia a sua compra definitiva. Isso "não garante a necessária isenção, transparência e lisura do processo, colocando em risco a prestação dos serviços concedi dos", afirma o comunicado.

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