Governo do RJ pretende investir US$ 25 milhões em projeto de recuperação da Lagoa14/Mar, 19:50 Por Felipe Werneck Rio, 14 (AE) - O secretário de Meio Ambiente do RJ, André Corrêa, disse hoje que o governo pretende investir US$ 25 milhões no projeto da prefeitura que prevê o alargamento do canal do Jardim de Alah, apontado como "solução definitiva" para os problemas ambientais na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio. As obras não deverão estar concluídas antes do verão de 2003, de acordo com o cronograma do secretário. Na semana passada foram recolhidas mais de 130 toneladas de peixes mortos na lagoa. "Não cabe mais buscar responsáveis pela morte de peixes na lagoa, o governador quer uma solução definitiva e está disposto a financiar integralmente o projeto de abertura do canal", afirmou Corrêa. Ele admitiu a possibilidade de nova mortandade antes do término das obras. O "orçamento extra" não prevê recursos para aumentar a fiscalização e evitar o lançamento clandestino de esgoto na lagoa - esse problema será discutido a partir do termo de ajustamento de conduta a que será submetido à Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae). O canal do Jardim de Alah é responsável pela troca de água entre a lagoa e o mar, atualmente quase nula (0,5% do volume total da lagoa). Ele seria alargado em 22 metros, dos atuais 10 para 32. A profundidade passaria de 2,5 para 4 metros e o comprimento teria mais 200 metros. Com o alargamento, a previsão é de que a água seja renovada a cada dez dias. Oxigenação artificial - Corrêa anunciou o início, em 20 dias, do desassoreamento do canal da Rua General Garzon e a criação do Conselho Gestor da Lagoa, que prevê o acompanhamento das condições ambientais e a efetivação de um programa-piloto de oxigenação artificial da água. Até hoje mais 150 quilos de peixes mortos foram recolhidos na lagoa. O estudo inicial sobre alargamento do canal, concluído em 1992 por técnicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está sendo avaliado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa (Lnec), responsável pelo projeto do Aterro do Flamengo. A prefeitura espera receber o estudo do Lnec até o fim de abril. Depois, o Estado ficaria responsável pelo Estudo de Impacto Ambiental e pela licitação, prevista para agosto. Soluções - A obra, com prazo de dois anos para ser concluída, começaria em dezembro. O projeto prevê uma "solução" para problemas como a falta de oxigenação da água da lagoa, a drenagem na orla, o acúmulo de areia no fundo do canal do Jardim de Alah e a redução das faixas de areia das praias do Leblon e do Arpoador. Esgoto - Pela manhã, técnicos da prefeitura fizeram uma coleta de peixes da lagoa para avaliar a condição do pescado, porque havia a suspeita de contaminação da água por substâncias liberadas por algas supostamente tóxicas. À tarde, Corrêa negou essa possibilidade, baseado em um estudo da Secretaria. O resultado da prefeitura deverá sair em oito dias. O secretário municipal do Meio Ambiente, Maurício Lobo, voltou a culpar a Cedae pelo despejo de esgoto. Análise da Secretaria, divulgada hoje, confirma que as manchas amareladas que aparecem nas praias da orla foram causadas pela proliferação de microalgas, provocada pelo excesso de esgoto. Além disso, em alguns pontos o índice de coliformes chega a três mil por 100 mililitros - três vezes acima do limite."Com os R$ 700 milhões que a Cedae arrecada por ano só no Rio, eu acabava com esse problema", afirmou Lobo. Corrêa disse que a Cedae passará por um termo de ajustamento de conduta, para detalhar investimentos, cronograma de obras e metas da empresa. "A Cedae é vítima de 25 anos de descaso", admitiu. Inquérito - O promotor Sávio Bittencourt, da Equipe de Proteção ao Meio Ambiente do Ministério Público do Estado, ouviu hoje o biólogo Mário Moscatelli, ex-gerente de Recursos Ambientais da lagoa, que pediu demissão por discordar da política ambiental do governo estadual. "Ele reafirmou os problemas e disse que já havia informado a secretaria antes do desastre", disse Bittencout. O promotor requisitou à Polícia Civil instauração de inquérito para apurar responsabilidades pelo despejo de esgoto e a consequente morte de peixes. "Não basta uma solução paliativa é preciso uma auditoria externa, formada por um pool de universidades, que tome decisões técnicas a curto prazo", disse. A Polícia Federal também deverá abrir inquérito esta semana, a pedido da Procuradoria da República no Rio.

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