Rio, 30 (AE) - O governador Anthony Garotinho anunciou hoje que vai aplicar R$ 21,5 milhões por mês na área da saúde, a partir de abril, para tentar reverter a crise - principalmente por falta de médicos - nos sete hospitais que foram retomados pelo governo no último dia 5 de março, após a revogação dos contratos de terceirização firmados na gestão anterior. "O Estado está numa situação difícil, mas escolhemos a saúde como prioridade e decidimos triplicar o investimento no setor, que será o maior dos últimos 12 anos", afirmou Garotinho.
A carência de profissionais de saúde no Estado é de 2,5 mil, dos quais 1.034 médicos. Por isso, o governador afirmou que
por enquanto, vai manter os funcionários cooperativados - que, segundo ele, deverão receber na segunda-feira os salários de dezembro, janeiro e fevereiro. "Se tirarmos os cooperativados agora a rede pára", afirmou. De acordo com Garotinho, só haverá contratação de funcionários após o fim da transição do controle dos hospitais estaduais. Gabinete - O governador transferiu ontem seu gabinete para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte do Rio, onde, no domingo, seis médicos - todos cooperativados - faltaram ao plantão. Segundo o governador, os funcionários foram afastados e denunciados ao Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) por "desvio de ética". Por causa das faltas, o atendimento no setor de emergência caiu de 800 casos - média diária - para 300.
Apesar da presença do governador no hospital, pacientes reclamavam da demora no Serviço de Pronto-Atendimento. "Estou aqui desde 3h da madrugada e ainda não fui atendida", lamentou, às 12h30, Tereza da Cruz, de 43 anos, com ferimentos leves na mão. Garotinho afirmou que vai construir uma nova recepção para minimizar o problema de pessoas que, hoje, precisam aguardar na rua para serem atendidas. Carlos José Souza, de 38 anos, também esperava debaixo de sol para ser atendido. "Cadê o governador"
reclamou.
O secretário estadual da Saúde, Gilson Cantarino, disse que pretende reduzir em 40% os gastos com alimentação, limpeza e segurança nos hospitais, revendo contratos. Cantarino também pretende negociar uma redução de até 30% da dívida de R$ 84 milhões com fornecedores, segundo ele herdada da gestão anterior.
De acordo com o governador, o único hospital estadual que, hoje, apresenta problemas graves é o de Saracuruna, na Baixada Fluminense, onde todos os 450 funcionários são cooperativados. "É um caso de polícia", afirmou Garotinho. Segundo ele, o hospital foi inaugurado de maneira "irresponsável" pelo governo anterior, de Marcello Alencar (PSDB), sem gerador e com elevadores irregulares. "Em 90 dias colocaremos o hospital em condições de operar como referência na Baixada", garantiu.
Garotinho afirmou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) condenou, no último dia 19, a ex-secretária estadual da Saúde, Rosângela Bello, a devolver R$ 42.988 aos cofres do Estado por causa de licitações irregulares realizadas durante sua gestão. Segundo Rosângela, que esteve à frente da secretaria durante o ano de 1998, a declaração do governador é "tendenciosa". "Recebi notificações do TCE e estou recorrendo
mas não existem irregularidades nos editais", afirmou.
Segundo Garotinho, que deverá despachar amanhã (31) no Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na zona oeste, existem outros dez processos contra a ex-secretária.

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