Governo do Rio quer vender complexo penitenciário; edital será lançado na próxima semana
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 23 (AE) - O governo do Rio deverá lançar, na próxima semana, o edital de venda ou permuta do Complexo Penitenciário da Frei Caneca, composto de sete unidades e dois hospitais, localizado em área valorizada do centro da cidade. Segundo o secretário estadual de Justiça, Sérgio Zveiter, uma empresa será contratada para realizar o processo de licitação, que deverá ser concluído até o final do ano. A partir da publicação do edital, num prazo de 90 dias, a área deverá estar vendida.
Zveiter explicou que o edital exigirá dos compradores a construção da mesma quantidade de presídios e hospitais em quatro locais que serão oferecidos pelo governo: Macáe, Magé, Itaperuna (municípios da região norte fluminense) e em Bangu (na zona oeste do Rio) antes da desativação completa do local. De acordo com o secretário, o valor de venda ainda não foi calculado, o que deverá ser feito pela firma contratada para a licitação. Um levantamento realizado há dez anos pelo governo estadual avaliou o imóvel em R$ 60 milhões, disse o secretário. "É um local muito bom para a construção de centros comerciais ou shoppings". O complexo penitenciário tem 64 mil metros quadrados de área.
O objetivo do governo, segundo Zveiter, é acabar com todo o complexo e transferir os detentos para as quatro unidades de segurança máxima construídas em Bangu, na zona oeste. Na semana passada, a secretaria transferiu 900 detentos do Penitenciária Milton Dias Moreira, uma das cinco unidades do complexo, para o recém-inaugurado Bangu 4.
Hoje, após visitar o Presídio Milton Dias Moreira, Zveiter disse que o local será transformado em Casa de Custódia - que abrigará presos ainda sem julgamento. Para a mudança, a penitenciária sofrerá uma reforma, com a pintura de celas e colocação de janelas e portas, destruídas pelos detentos durante a transferência. Num dos cubículos, foi encontrada uma pomba branca que seria usada, segundo os agentes penitenciários, para levar recados dos detentos para criminosos dos morros que cercam o Complexo da Frei Caneca.


