Governo do Rio quer usar tecnologia desenvolvida nas universidades a serviço da polícia
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 04 (AE) - Os secretários estaduais de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, e de Ciência e Tecnologia, Wanderley de Souza, querem transformar a polícia do Rio numa das mais bem equipadas do País. A idéia é colocar a tecnologia desenvolvida em universidades e institutos de pesquisa a serviço da investigação policial. Para isso, est)ão firmando convênios com instituições para incorporar à rotina policial desde o exame de DNA a sofisticados bancos de vozes. O projeto deve custar cerca de R$ 2 milhões, segundo estimativa do secretário de Ciência e Tecnologia, e deve começar a ser implantado ainda este ano.
"A polícia carece desses recursos, que são do próprio Estado, mas estão dispersos", disse Quintal. E citou casos complicados, como o da estudante Patrícia Fernandes Braga, de 20 anos, morta e carbonizada no carnaval passado por um policial militar. "Pelo exame de DNA teríamos identificado rapidamente o corpo dela", acredita o coronel. A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) faz exames de DNA para comprovação de paternidade e os resultados ficam prontos entre 15 e 20 dias. Esse prazo deve ser reduzido para até 48 horas.
Técnicos do Instituto Médico-Legal vão ser instruídos a recolher no local do crime tudo o que possa servir de prova: desde o fio de cabelo ao cigarro, onde o criminoso pode ter deixado saliva. O convênio com a Uerj e com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) vai possibilitar ainda a criação de um arquivo de vozes, que ajudaria a identificar grupos de sequestradores. "O criminoso pode até tentar disfarçar a voz, mas a frequência emitida é como uma impressão digital - única", esclareceu Souza. Carros - Para localizar áreas usadas para o desmonte de carros - o roubo de veículos é um dos tipos de crime que mais preocupa a Secretaria de Segurança -, Souza e Quintal esperam usar o serviço de rastreamento por fotografia aérea (aerofotogrametria) do Instituto Militar de Engenharia. "Alguns ferros-velhos funcionam em galpões e isso complica a identificação de desmonte de carros", afirmou Souza.
Outra proposta que está sendo estudada é a criação de um programa de computador para mapear os carros da polícia. O policial militar teria acesso, do computador de bordo do seu carro, à localização de outros veículos da corporação. Em caso de emergência, o policial pode pedir ajuda a colegas mais próximos.


