Rio, 05 (AE) - O governo do Estado vai entrar na Justiça pedindo a revisão da privatização do Banerj ou o ressarcimento dos R$ 12 bilhões de prejuízo causados com a venda. Depois de ter analisado um relatório da Procuradoria sobre a transação, o governador Anthony Garotinho (PDT) enviou ofício hoje ao procurador geral do Estado, Francesco Conte, pedindo que tome as medidas judiciais cabíveis. "Estou mandando a Procuradoria propor medidas para ressarcir o estado pelo prejuízo ou então para anular o negócio", disse Garotinho.
Segundo o governador, se o Itaú não pagar a dívida ou não entrar em um acordo, o Estado não ficará no prejuízo. "Alguém vai ter que assumir isso: o Itaú, o Banco Central, que foi avalista, o governo federal", disse. "Ou, no caso de a venda ser anulada, a dívida volta para o banco e sai do Estado." No ofício, o governador requer ainda que sejam enviadas cópias do relatório ao Banco Central, ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Estadual, para que "adotem as medidas judiciais cabíveis". Garotinho pede também o envio de cópias do relatório ao Tribunal de Contas do Estado e ao da União e pede que seja determinada a realização de auditorias.
O relatório da Procuradoria concluiu que o Banerj foi vendido ao Itaú por R$ 331 milhões, mas deixou o estado com um prejuízo de R$ 12 bilhões. O passivo, de acordo com o documento, é composto por dívidas previdenciárias (R$ 3 bilhões); ações judiciais movidas por trabalhadores (R$ 1 bilhão); multas e outras penalidades aplicadas pelo Banco Central ao Banerj (R$ 4 bilhões) e parte da chamada massa falida - indenizações de ex-funcionários que não foram pagas -, que chegam a R$ 4 bilhões.
"Para privatizar, dividiram o banco em dois: o azul e o vermelho", contou Garotinho. "Tudo o que dava lucro e tinha valor ficou no azul, vendido ao Itaú; tudo o que era prejuízo, débito, dívidas, ficou no vermelho e por conta do Estado." De acordo com o governador, além de o Estado ter assumido as dívidas do Banerj, recebeu metade do valor estabelecido com o Itaú em títulos de privatização. "Foi um negócio da China para o Itaú e um caminhão de abacaxis para o Estado", resumiu Garotinho.
O governador espera ainda a explicação do Banco Central sobre a autorização de privatização do Banerj para decidir se envia ou não o dossiê à CPI do bancos. O ex-secretário estadual de Fazenda Marco Aurélio Alencar, que comandou a operação de venda do Banerj, disse, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que a venda do banco foi "legal".

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