Rio, 08 (AE) - O secretário de Segurança do Rio, Josias Quintal, viaja amanhã para Campos, no norte do Estado, junto com o chefe de Polícia Civil, delegado Carlos Alberto DOliveira, e o corregedor de polícia, Roberto Gomes, para acompanhar de perto as investigações sobre a onda de violência que tomou conta do município. Há um mês, Campos, que é cidade natal do governador do Rio, Anthony Garotinho, da qual foi prefeito até o início do ano passado, vem registrando uma série de assassinatos. Desde o início do ano, o aeroporto municipal foi assaltado duas vezes.
A polícia local suspeita de que as ações criminosas vem sendo realizadas por uma só quadrilha, que teria envolvimento de policiais e ex-policiais. Hoje à tarde um grupo de policiais civis do Rio, comandados pelo delegado álvaro Lins, esteve na cidade ajudando nas investigações a pedido do próprio secretário de Segurança. A decisão de Quintal foi tomada depois dos assassinatos, hoje cedo, do ex-PM Zulmar Coutinho, de 34 anos, e de seu amigo José Vasconcellos Neto, 40 anos.
Os dois foram mortos no estacionamento do Hospital Beneficência Portuguesa, no centro de Campos. Eles estavam no carro do policial, um Kadett branco, e foram atacados por desconhecidos que usavam um carro com placa de Niterói. Zulmar levou 10 tiros no pulmão e Vasconcellos, três tiros no pescoço. O comandante do 8º Batalhão da PM, coronel Romeu Oliveira, responsável pela área, não descarta a possibilidade de execução.
Segundo a polícia, os assassinos de Zulmar e Vasconcellos seriam os mesmos que mataram, há duas semanas, o também ex-PM Ubirajara Telles de Menezes, o Bira, de 44 anos, na rodovia BR-101, em Guarus, na saída da cidade em direção à capital. Na ocasião, foram mortos também a filha de Bira, Bruna Castelo de Menezes, de 17 anos, e Alessandro Alves Peçanha, de 25, que era funcionário da empresa Cobrança Forte, de propriedade do ex-PM.
O mesmo grupo, ainda de acordo com policiais da 134ª DP (Campos), foi responsável pela morte do homossexual José Carlos Pereira Campos, ocorrida no dia 14 de maio. Campos, que era colunista social de um jornal local, foi encontrado em seu apartamento, enforcado com um cinto de couro e as pernas amarradas por um fio de ventilador. A quadrilha que está aterrorizando os conterrâneos de Garotinho também estaria envolvida com os dois assaltos ao aeroporto local.
O primeiro ocorreu no dia 14 de janeiro, quando foram roubados R$ 800 mil de um avião de transportes de valores, e o segundo, no dia 11 de maio. Nesse último, seguranças do aeroporto reagiram ao assalto e os bandidos acabaram fugindo. Dois funcionários saíram feridos.

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