Governo do PR repudia declarações de procurador18/Mar, 18:41 Curitiba, 18 (AE) - O governo do Paraná divulgou hoje nota oficial de repúdio às declarações do procurador da República em Caxias do Sul (RS), Antonio Celso Três, que afirmou na quinta-feira (16), que o governo de Jaime Lerner (PFL) "não tem interesse em ir a fundo nas investigações sobre o crime organizado no Estado". A nota, assinada pelo secretário-chefe da Casa Civil do Estado, Pretextato Taborda Ribas, informa que o governo do Paraná "repele todo o conteúdo das declarações atribuídas ao sr. Antonio Celso Três e vai, diante da gravidade das afirmações notificá-lo para que confirme ou não o teor". Ele acrescenta: "Em caso afirmativo, recorrerá à Corregedoria da Procuradoria-Geral da República." Ao agir assim, emitindo opiniões "sobre assuntos que não são de sua competência, o senhor Três se desveste da imparcialidade necessária e fundamental à credibilidade de suas funções", avalia o comunicado do secretário. Três exerceu até recentemente a função em Cascavel, no Oeste do Paraná, onde se notabilizou pela devassa nas CC5 (contas especiais que permitem a remessa de dinheiro ao exterior), por meio das quais foram enviados para fora do País US$ 124 bilhões de 1992 a 1998. Ele afirmou na quinta-feira que o crime no Paraná "atinge gente dentro do governo (paranaense) e o governador é um tanto refém dessas pessoas". A nota de Ribas esclarece ainda que Três, durante os anos em que esteve em Cascavel, "jamais, em tempo algum, ouviu, notificou, citou ou indiciou, dentro do espectro de procedimentos da competência de um procurador da República, qualquer membro do governo na gestão de Jaime Lerner". O secretário-chefe acrescenta que o procurador demonstra desinformação, pois o governo do Paraná "afastou os policiais referidos nas audiências públicas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados sobre narcotráfico", realizadas em Curitiba entre os dias 29 e 2. Ele diz que o governador "atendeu imediatamente a requisição de 15 policiais, entre civis e militares, para instrumentarem a ação do Ministério Público, nos inquéritos decorrentes da ação da CPI". É ainda mencionado na nota que Lerner criou uma comissão especial, da qual participam três secretários de Estado, o procurador-geral do Estado, um procurador do Ministério Público, um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um deputado estadual, para apurar o envolvimento de servidores públicos da Polícia Civil em qualquer das formas do crime organizado. Ribas confirma que essa comissão especial está trabalhando e ouvindo testemunhas na preparação do inquérito competente a ser apresentado a Lerner "para as devidas providências". O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, ouvido pela CPI do Narcotráfico em Curitiba e apontado por traficantes como envolvido no esquema do tráfico no Estado, é mencionado por Três como uma pessoa que "sabe muito" sobre a situação do Estado. Oliveira deverá depor de novo na CPI em Brasília nos próximos dias.