Governo do PR e MST não chegam a acordo e sem-terra mantém acampamento em Curitiba
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 09 (AE) - O governo do Paraná e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não chegaram a um acordo para por fim ao acampamento montado há mais de um mês na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Em reunião ontem (08) à noite, o governo propôs o assentamento imediato de 645 famílias retiradas de fazendas do noroeste e de outras duas mil famílias, em três meses, em troca do fim do acampamento e de invasões de áreas produtivas. A liderança do MST considerou pouco e entregou uma pauta com 20 itens. O movimento pede o não envolvimento policial na questão agrária, desapropriação de fazendas já vistoriadas, assentamento de nove mil famílias ainda este ano e recursos para custeio de safra e infra-estrutura. O MST e o governo vão analisar as propostas e marcar novo encontro. Para o bispo auxiliar de Curitiba, dom Ladislau Biernaski, a reunião foi um ganho. "Pelo fato de o movimento poder apresentar suas propostas e o governo acenar com uma solução, ainda que parcial", disse.
O superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Carlos de Araújo Vieira, anunciou, na semana passada, que o órgão dispõe de cerca de R$ 34 milhões para aplicar nos projetos de reforma agrária este ano, além de outros R$ 25 milhões prometidos pelo governo federal. Ele garantiu que as áreas necessárias para assentar duas mil famílias, conforme prometido pelo governador Jaime Lerner (PFL), estarão liberadas em três meses. O governador insistiu que é necessário começar o processo de reforma agrária com os recursos já garantidos e se unir para buscar mais.
"Tenho esperanças de que iniciamos um novo momento", disse Lerner. "Mas não tenham a ilusão de que se chegue a um acordo em todos os pontos", alertou. "Neste momento, o imperativo é que a solidariedade pese mais". O governador mostrou-se irritado com a insistência do MST em manter o acampamento no Centro Cívico. "Não há o menor pretexto para a continuidade do acampamento", afirmou. "Uma coisa é a manifestação livre, que nós respeitamos, e outra coisa é o desrespeito com a população da cidade e do Estado, é uma provocação muito grande".
O governo tem insistido para que eles se mudem para o Parque dos Tropeiros, onde há banheiros, chuveiros com água quente, salão e refeitório. Os sem-terra, porém, afirmam que permanecerão no local, onde já fizeram uma horta, até que suas reivindicações sejam atendidas. Hoje, eles continuavam substituindo os barracos de lona por construções mais firmes, com tijolos, madeira e bambus. Por estarem tirando pedras da calçada da praça, foram notificados pela 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. Os coordenadores do acampamento disseram que, quando saírem, vão recolocar todas as pedras.


