Curitiba - O governo do Estado está incentivando os empresários paranaenses a investir em mão-de-obra de internos do Sistema Penitenciário. Atualmente, dos 5,6 mil internos nas dez penitenciárias incluindo as industriais cerca de 46% trabalham em canteiros privados instalados nas unidades. Outros 40% trabalham nas atividades promovidas pelo Estado como horta, jardinagem, limpeza, manutenção e cozinha.
As empresas que participam deste tipo de atividade podem destinar até 20% da produção para os internos, que oferecem a mão-de-obra mais barata do mercado. Cada preso recebe uma remuneração mínima de dois terços do salário mínimo. Os recursos não vão diretamente para as mãos dos detentos, para evitar comercializações clandestinas nas unidades. Parte vai para a família do interno e parte fica na tesouraria à disposição do detento. ''O correto era destinar todo o salário para uma poupança. Mas os internos não admitem'', disse Divonsir Taborda Mafra, coordenador estadual do Departamento Penitenciário (Depen).
Atualmente, 48 empresas estão instaladas nos canteiros de obras das penitenciárias. ''Temos vagas para outras empresas. Especialmente na Penitenciária Central do Estado (PCE) em que estamos sem qualquer tipo de atividade empresarial'', afirmou Paulo Cesar Francoski, técnico economista do Fundo Penitenciário (Fupen). As contratações são feitas entre as empresas privadas e o Fupen.
Do percentual dos presos que trabalham nas unidades, cerca de 70% conseguem atividade remunerada formal ou informal quando deixa a penitenciária. O dado faz parte de uma pesquisa realizada pelo Patronato Penitenciário que acompanha a vida dos presos egressos dois anos após eles deixarem o regime fechado. De acordo com Vera Lúcia Silon Domingues dos Santos, diretora do Patronato Penitenciário, atualmente 130 detentos estão sendo capacitados nas áreas de informática, mecânica básica e eletricidade com vistas à reintegração social.
Entre as empresas que trabalham atualmente com as penitenciárias paranaenses destacam-se: Magnetron Componentes Ltda, que produz bobinas para motocicletas (usa mão de obra de 30 presas da Penitenciária Feminina de Piraquara); Autarquia Paraná Esporte, que produz material esportivo como bolas, uniformes, camisetas, pastas e redes (usa mão de obra de 85 internas da Penitenciária Feminina de Piraquara, 20 internos da Colônia Penal Agrícola e 137 da Penitenciária Provisória de Curitiba); Estofados Anjos, que faz 500 estofamentos de dois e três lugares por mês (usa mão de obra de 80 internos da Penitenciária Industrial de Cascavel); Plast Pouch, que produz cerca de 8 mil unidades por dia de sacolas plásticas (73 internos da Penitenciária Estadual de Maringá); Azulbrás Indústria e Comércio de Móveis, que produz 600 estofamentos de dois e três lugares por mês (120 internos da Penitenciária Industrial de Guarapuava); e a GL Eletro-Eletrônicos (60 internos da Penitenciária Provisória de Curitiba). ''Precisamos do tratamento penal. Para isso contamos com o apoio do empresariado'', complementou o secretário José Tavares, da Segurança Pública e Justiça.

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