Brasília, 01 (AE) - Representantes do governo do Paraná e de movimentos sociais trocaram acusações sobre prováveis laudos forjados a respeito do estado de saúde do sem-terra Geraldo José dos Santos, de 84 anos, durante reunião, hoje, do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), no Ministério da Justiça. O idoso teria sido vítima de violência policial na desocupação da Fazenda Monte Castelo, segundo o advogado Darci Frigo, da Comissão Pastoral da Terra. "Nosso laudo mostra que ele teve a quinta vértebra quebrada", disse, denunciando que a fratura ocorreu em decorrência de chutes dos policiais nas costas do sem-terra.
"Coloco sob suspeita a situação dele; jamais a polícia agrediria um velho que não ofereceu resistência à desocupação", desmente o secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira. O secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, disse que essas versões serão agora analisadas por um relator do CDDPH. O assunto volta à pauta na próxima reunião.
O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), tinha reunião marcada no início da noite de hoje com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. O conflito no setor fundiário era um dos temas do encontro. Lerner iria pedir ao ministro a presença do ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, no Paraná, para acompanhar as reintegrações de posse das fazendas. O encontro formalizaria também a ida de Jungmann ao Estado para fechar a descentralização da reforma agrária, prevista no Novo Mundo Rural.
O secretário de Justiça do Paraná, José Tavares, disse que o governo de Lerner está se desgastando duplamente: com os donos das terras, que produzem e estão sob ameaça de invasão, e também com os sem-terra, porque não dispõe de recursos para resolver o problema. "Ao Estado resta apenas o uso da força policial para fazer as desocupações", afirma.
Segundo ele, se o governo federal quer repassar aos Estados a sua tarefa constitucional de promover a reforma agrária no País, que ofereça também os recursos financeiros. Para o secretário paranaense Cândido Martins de Oliveira, a médica de um hospital particular (conveniado ao Sistema Único de Saúde) que assina o laudo apresentado pelo MST "não tem fé pública". Tavares reforçou que "quem tem fé pública são os peritos do Instituto Médico-Legal, cujos laudos são utilizados pelos tribunais de Justiça". Ele garantiu que as desocupações, feitas em cumprimento de ordem judicial, no último mês, foram pacíficas.
O secretário de Segurança Pública entregou também ao CDDPH uma fita com declarações de sem-terra que garantiam não ter sofrido agressão policial. O advogado da CPT exige a apresentação da gravação integral, sem os cortes de edição, porque recebeu denúncias de que, enquanto a mulher era filmada dando declarações positivas ao governo paranaense, o marido tinha uma arma apontada para a cabeça.

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