Governo do Nepal retira táxis de três rodas de Katmandu
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quarta-feira, 15 de setembro de 1999
Por Binaj Gurubacharya, da AP 
KATMANDU (AE-AP) - O governo do Nepal está travando sua primeira luta contra a poluição, fator que vem sendo responsabilizado pelo declínio do turismo no reino do Himalaia. Pressionado por ambientalistas e pela indústria do turismo, funcionários do governo ordenaram a retirada dos táxis da cidade. Estes veículos barulhentos, movidos a diesel e que andam sobre três rodas nas ruas de Katmandu devem parar de rodar a partir do dia 18 de setembro. De acordo com os ambientalistas, esta proibição já chega com atraso.
"A retirada dos táxis pode não significar o fim da poluição em Katmandu, mas já é um começo e, sem dúvida, uma decisão corajosa do governo", diz Amod Pokhrel, do Líderes do Nepal, um grupo de ambientalistas de está fazendo campanha pela melhoria da qualidade do ar.
Um recente estudo realizado pelo grupo indica que os níveis de poluição em Katmandu são muito maiores do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Nas partes mais movimentadas da cidade foram encontradas 1.290 partículas poluentes por metro cúbico de ar, enquanto que a OMS recomenda o máximo de 150 por metro cúbico.
Motoristas de táxi reclamam que a retirada é mal direcionada e injusta. "Por que só nós somos atingidos? Nós representamos apenas uma pequena parte do problema da poluição", disse Balram Gurung. "O governo deveria primeiro ter banido as indústrias e fábricas que emitem fumaça e poluentes".
Os táxis de três rodas, predominantemente azuis e que acomodam oito passageiros, são muito usados pelos habitantes da cidade. Mas os carros, que expelem grandes quantidades de fumaça vêm sendo o alvo de furiosos protestos e até mesmo de vandalismo por parte dos ativistas pelo meio ambiente.
Os primeiros dos veículos Vikran Tempo foram importados da Índia em 1988. Três anos depois, o governo proibiu novas importações e limitou o número destes carros que poderiam operar na capital para cerca de 1.200. Apenas 700 deles continuam circulando. Para encorajar o transporte alternativo, o governo anunciou que abrirá mão de três quartos do imposto de importação para a compra de minivans compradas para a reposição dos táxis.
Mas os taxistas estão exigindo que o governo desista do valor total do imposto. "Eu ainda não paguei sequer a metade do meu empréstimo para a compra do meu táxi de três rodas e agora ordenam que eu me desfaça dele sem qualquer compensação da parte do governo", diz Bir Lama, que vem trabalhando como motorista de táxi há dois anos. "Isso não significará apenas desemprego, mas também dívidas".
Uma minivan, que leva cerca de 10 passageiros, custa 700 mil rúpias (US$ 11 mil), enquanto que os veículos de três rodas movidos a diesel saem por 250 mil rúpias (US$ 3.680)
O governo está também abrindo mão de 99% do valor do imposto cobrado por veículos de três rodas movidos a gás liquefeito. Mas eles são também bem mais caros, cerca de 535 rúpias (US$ 7.860), e tem custos operacionais mais altos do que os táxis movidos a diesel. O governo diz que a campanha de redução da poluição não será limitada pela eliminação dos veículos de três rodas. "Após retirarmos os Vikram Tempos das ruas, nos livraremos dos veículos do nosso governo, que são velhos e poluentes", disse o ministro dos transportes, Khum Bahadur Khadka.
Severas sanções em relação aos veículos privados devem seguir estas medidas iniciais. afirmou ele.
Muitas pessoas não estão contentes com a perspectiva de não poder mais contar com os táxis de três rodas. "Eles podem ser os grandes poluidores, mas nos levam para o trabalho e para casa no tempo certo, sem que tenhamos de suar nos ônibus lotados", diz o funcionário público Rupesh Joshi. "Agora, com a proibição da circulação, não há outro meio de transporte confiável e nós teremos de perder uma hora a mais nos ônibus todos os dias".
Os ônibus só param em locais especificados ao longo de rotas estabelecidas, enquanto que os veículos de três rodas param em qualquer lugar e leva os passageiros diretamente aonde eles quiserem. "Para muitos, ele pode ser um monstro azul, mas para mim ele é uma maravilha azul", diz o universitário Akash Chetri.


