Brasília, 09 (AE) - A Câmara dos Deputados e o governo do Mato Grosso vão financiar passagens, hospedagens e outras despesas de 16 deputados - já confimados - da CPI do Narcotráfico que viajam na quinta-feira da próxima semana à fronteira do Brasil com a Bolívia. Os parlamentares alegam a necessidade de conhecer o local por onde estaria entrando boa parte da droga que vem da Bolívia. O organizador da viagem, o deputado Lino Rossi (PSDB/MT), disse hoje que a única saída para acabar com o tráfico na fronteira é criar uma espécie de "muralha da China" ou um "grande fosso" separando Brasil e Bolívia.
Até agora, os parlamentares não fizeram os cálculos dos custos da viagem. Mas já mandaram providenciar passagens e hospedagem para todos os membros da CPI interessados em passar o fim de semana no Mato Grosso. Lino Rossi disse que a Câmara vai financiar passagens e o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), vai providenciar hospedagem. A comitiva vai sobrevoar a fronteira seca em helicópteros da Marinha e da Secretaria de Segurança do Mato Grosso.
Lino Rossi disse que decidiu levar os parlamentares ao Mato Grosso para chamar atenção para a falta de policiamento nas fronteiras e a falta de políticas públicas para atender a uma população de miseráveis, que segundo ele acaba trabalhando para narcotráfico. "As pessoas não têm emprego e vêem os traficantes balançando notas de cem reais", disse o deputado. "Por isso acabam aceitando propostas deste tipo." O parlamentar disse que é possível atravessar a fronteira e comprar 100 quilos de cocaína em poucos minutos. "Se o governo não aumentar a fiscalização, a única saída será a construção da grande muralha da China ou de um longo e profundo fosso na fronteira", disse.
Toda a delegação chegará ao Mato Grosso na noite da quinta-feira. Na sexta-feira, será realizado encontro na Superintendência da Polícia Federal, almoço com o governador Dante de Oliveira e debate sobre os problemas da região na Assembléia Legislativa do Estado. A comitiva será também recepcionada por oficiais do Exército. No sábado, o encontro será em Cáceres, de onde sairão comitivas para sobrevoar a fronteira. O domingo será livre para os parlamentares que resolverem esticar o fim de semana. Pelo menos um parlamentar já disse que vai pescar.
Muitos parlamentares comentam a viagem com restrições, para evitar que seja dada conotação de turismo a uma missão que dizem
ser séria. O presidente da CPI, deputado Magno Malta (PDT-ES), disse que este tipo de viagem é importante para que os parlamentares vejam de perto a falta de fiscalização nas fronteiras e possam sugerir políticas públicas na região.
A CPI irá realizar ainda diligências em outros locais do País. Já está confirmada nova diligência na Base Aérea do Galeão
no Rio, onde serão ouvidos militares que podem ter informações sobre o tráfico de cocaína em jatos da Força Aérea Brasileira. A diligência é um recurso que a CPI encontrou para ampliar as investigações, já que até hoje pouco se produziu a partir da quebra de sigilos.
O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), reclamou hoje que a CPI determina a quebra de sigilos mas que encontra "pouco apoio" do Judiciário e do Banco Central para investigar os grandes narcotraficantes. Recentemente, a CPI requisitou técnicos do Banco Central para ajudar no rastreamento de contas, mas hoje o Banco Central, segundo Moroni Torgan, devolveu ofício dizendo que vai ceder os técnicos desde que a CPI pague as diárias.

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