Campo Grande, 19 (AE) - O governo do Estado do Mato Grosso do Sul admitiu hoje ter sofrido um atentado. Por volta das 2h30 da madrugada a fachada do prédio do Terrasul (Departamento de Terras e Colonização de Mato Grosso do Sul) foi alvejada por vários tiros, cinco deles atravessaram as duas portas de vidro da entrada principal do edifício.
Segundo a Polícia Técnica, os projéteis foram disparados de uma arma automática calibre 380. O vigia que prefere não ter o nome revelado, explicou que os ocupantes de dois automóveis não identificados, sendo dois em cada carro, teriam disparado contra o prédio. Eles seguiam no sentido bairro-centro de Campo Grande, pela rua Ceará e os ocupantes do segundo veículos, possivelmente um carro modelo Gol
de cor cinza, foram quem fizeram os disparos.Foram recolhidas 14 cápsulas no local, todas do mesmo calibre.
Conforme explicou o secretário de Segurança Pública Franklin Mashua, a pressão que o governo do Estado está sofrendo é "muito mais forte por parte dos com-terra, do que os sem-terra".
Existe ainda, conforme Franklin, a constante pressão dos fazendeiros para desocupar as 31 fazendas que continuam invadidas, algumas delas desde 97. O vice-governador Moacyr Kohl
lembrou que o Estado está às vésperas de aprovar o orçamento da reforma agrária estadual. Somando esse e outros detalhes, pode se dizer com segurança que os tiros, no mínimo foram sintomáticos, assegura o secretário.
A mesma opinião é do diretor-geral do Terrasul, Luís Carlos Bonellis. Disse que há 20 anos legaliza terras devolutas beneficiando os fazendeiros. No atual governo essa áreas estão sendo requisitadas para assentar sem-terra. "Nos não estamos fazendo nada fora da constituição estadual, mas cumprindo a lei, o que não acontecia até agora", concluiu.
Os três querem acreditar tratar-se de um mero vandalismo, porém defendem atentado e aguardam os resultados das investigações. "O prédio do Terrasul foi o escolhido, portanto a hipótese maior sobre de onde pode ter vindo os tiros, deve permanecer" ressaltou o secretário completando: "poderia ser o prédio da Secretaria de Segurança Pública ou outro qualquer, mas na atual situação dos conflitos agrários no Estado, não podemos considerar um simples vandalismo, em primeiro lugar.

mockup