Governo do Irã ameaça com execuções
Teerã, 14 (AE-AP) - O governo iraniano anunciou hoje(14) que "restaurou a ordem" no país, está trabalhando para identificar os responsáveis pelos seis dias de protestos estudantis contra o aiatolá Ali Khamenei e pode condená-los à morte. "Aqueles envolvidos nos distúrbios dos últimos dias, na destruição de propriedade pública e nos ataques contra o sistema serão punidos como moharebs (os que combatem Deus) e mofseds (os que espalham a corrupção)", afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Hassan Rowhani, a 100 mil manifestantes pró-regime em Teerã. Pela lei islâmica, os crimes mencionados por ele geralmente são punidos com a execução.
Depois de promover os piores protestos desde a Revolução Islâmica de 1979 - os quais chegaram a alcançar pelo menos oito cidades e a reunir, domingo, 20 mil jovens em Teerã -, os estudantes, diante da falta de apoio do presidente moderado Mohammad Khatami, suspenderam hoje seu movimento.
Uma das exigências dos estudantes era a prisão e julgamento do chefe da polícia nacional, o general Hedayat Lotfian, por causa do invasão da universidade. Dois oficiais do aparato de segurança foram afastados e indiciados, mas não há sinal de que Lotfian vá ser punido. A palavra "punição" foi usada hoje pelo governo apenas para referir-se aos responsáveis pelos protestos estudantis.
"Os corpos de inteligência e segurança estão realizando esforços generalizados para identificar os principais elementos por trás dos distúrbios", afirmou o ministro do Interior, o linha-dura Abdolvahed Mousavi-Lari, depois de anunicar que "a crise foi totalmente controlada". Ele disse que vários suspeitos já foram detidos, e advertiu: "A polícia e a inteligência estão em total prontidão para enfrentar com firmeza qualquer desordem."
Policiais, vigilantes islâmicos do grupo radical Ansar-e Hizbollah (Partido de Deus) e voluntários da força paramilitar Basiji patrulham ostensivamente as ruas de Teerã desde a noite de ontem, quando assumiram o controle da área em torno da universidade, encerrando um dia de batalhas campais com os estudantes. Na ocasião, várias pessoas foram detidas. Entre elas estão, segundo fontes da oposição exiladas em Bruxelas, três dirigentes do oposicionista Partido do Povo.





