Governo do Equador divulga alguns pontos do pacote
Quito, 11 (AE-REUTERS) - O secretário de Administração do Equador, Jaime Durán, disse hoje (11) à tarde em Quito que o presidente Jamil Mahuad anunciará à noite um pacote econômico que objetiva tirar o país do grande déficit fiscal em que se encontra e enterrar de vez o paternalismo estatal criando um novo modelo econômico.
Nos círculos financeiros equatorianos corre rumores de que o governo quer aumentar o Imposto de Valor Agregado (IVA), restringir o saque de dinheiro dos bancos, elevar as tarifas dos serviços públicos, acelerar a privatizações e fechar algumas estatais.
Durán garantiu que "algumas linhas gerais desses rumores têm sentido". Hoje, Jamil Mahuad estava reunido com sua equipe, dentro do Palácio do Governo, para afinar o discurso. O secretário da Administração disse que encerrar o déficit ou diminuí-lo ao máximo é uma das condições para um possível acordo com o Fundo Monetário Internacional. E acrescentou: "Um acordo com o FMI é necessário e inevitável".
As privatizações ganharão força no novo pacote. A informação é do presidente do Conselho Nacional de Modernização (Conam), Alvaro Guerrero. Segundo ele, o novo plano também pretende liberalizar o mercado para facilitar a presença de grandes capitais privados e estrangeiros no país, em áreas como eletricidade, petróleo e telecomunicações. "Devem ser acelerados todos os processos de privatização que atraiam o capital estrangeiro", disse Guerrero.
O funcionário disse também que a proposta econômica de Mahuad deverá cobrir o déficit fiscal e evitar o crescimento da inflação, além da especulação. Outros pontos: Reordenamento do gasto público, fim das exceções ao IVA, impostos sobre veículos de luxo, cigarros e bebidas importadas, controle da evasão de tributos e manutenção do aumento gradual dos preços dos combustíveis, atualmente indexados com o tipo de câmbio do dólar.
O ministro de Comércio Exterior, Héctor Plaza, informou que os detalhes do plano serão dados pelo presidente e que nem todas as medidas serão ditadas por Mahuad. "Algumas terão de passar pelo Congresso".
O Equador passa atualmente por sua pior crise econômica nos últimos 50 anos. O déficit fiscal atual é de 6% do PIB (US$ 1,2 bilhão). Desde o ano passado o país passa por sérios apuros financeiros por conta do fenômeno climático El Niño, a queda do preço do petróleo e o contágio da crise financeira internacional. Dentro da Comunidade Andina, o Equador quer um acordo de livre comércio com o Mercosul.





