Brasília, 05 (AE) - O novo secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, José de Jesus Filho, anuncia amanhã (06) a criação de uma comissão com representantes do Ministério Público
da Polícia Federal (PF), das Comissões de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e da Câmara Legislativa do DF, além de outras entidades, para acompanhar as investigações da operação da Polícia Militar (PM) que resultou na morte, com tiro de escopeta calibre 12, de um servidor público e deixou dezenas de feridos na quinta-feira, em Brasília.
Jesus Filho vai definir à tarde, em reunião com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, a participação da PF na apuração do caso, seguindo orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje o governador do DF, Joaquim Roriz (PMDB), falou pela primeira vez publicamente sobre ação da PM e garantiu que seu governo será "enérgico" na investigação.
"Vamos apurar nos mínimos detalhes o que aconteceu", declarou Roriz, em entrevista à TV Globo, durante a inauguração de uma igreja numa cidade-satélite de Brasília. "Tudo o que for necessário, todas as medidas cabíveis e legais, o meu governo vai adotar." Roriz não fez comentários sobre a participação da PF nas investigações e recusou-se a responder se o secretário de Segurança afastado, Paulo Castelo Branco, vai retornar ao cargo.
Castelo Branco foi afastado temporariamente durante a apuração do caso. Ele comandou a ação da PM na quinta-feira para dispersar piquete de servidores da empresa de urbanização Novacap. Cerca de 800 servidores (500 para a PM) bloqueavam, sentados, os portões de acesso à empresa.
Presente no local, Castelo Branco assistiu à ação da polícia
que usou bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real contra os servidores. O servente José Ferreira da Silva, de 33 anos, morreu atingido por tiro de escopeta calibre 12, e mais de 30 pessoas ficaram feridas, incluindo dois cegos de um olho.
A ação da PM em Brasília foi um dos temas debatidos hoje na reunião do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, cobrou "transparência" na apuração e a responsabilização dos culpados. "A OAB tomará providências concretas se houver omissão", disse ele, referindo-se às ações judiciais cabíveis tão logo sejam identificados os responsáveis pela morte.

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