Governo do AP liberará R$ 350.000 a descendentes de escravos
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Neri Vitor Eich 
Brasília, 03 (AE) - O governador do Amapá, João Capiberibe (PSB), prometeu hoje que em breve serão liberados R$ 350.000 da Superintendência de Desenvolvimento da Zona Franca de Manaus (Suframa) para as 200 famílias de descendentes de escravos que vivem na Comunidade de Curiaú, a 12 quilômetros de Macapá.
O governador fez o anúncio às 20 horas, na solenidade de entrega do título definitivo de propriedade da terra a esses remanescentes de quilombos que vivem na área. Compareceram ao ato também a ex-primeira-dama da França Danielle Miterrand e a presidente da Fundação Cultural Palmares (do Ministério da Cultura), Dulce Maria Pereira.
A fundação, por força de medida provisória assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, é responsável pelos procedimentos administrativos para identificação, reconhecimento
demarcação e titulação das terras pertencentes às Comunidades Remanescentes de Quilombos. Até agora, a fundação identificou 80 mil brasileiros residindo nessas comunidades, espalhadas em 724 áreas pelo País.
O governador Capiberibe explicou que os R$ 350.000 que serão liberados pela Suframa serão aplicados na comundiade em projetos de infra-estrutura para ecoturismo na região, que passará a receber visitantes para passeios ecológicos. O dinheiro será utilizado também para financiar o resgate cultural da comunidade
produção de artesanato típico e atividades agrícolas.
A Comunidade de Curiaú começou a se formar há três séculos, com a chegada de um casal de africanos e sete escravos vindos da áfrica do Norte. Seus herdeiros nunca conseguiram a titulação definitiva das terras porque, por uma lei de 1850, isso era proibido, o que só começou a mudar com a Constituição de 1988.
Das 724 áreas identificadas como pertencentes a comunidades de remanescentes de quilombos, 29 já foram reconhecidas oficialmente pelo Ministério da Cultura.


