Manaus, 05 (AE) - O governo do Amazonas estuda a possibilidade de delimitar suas florestas estaduais ou reservas de desenvolvimento sustentável e estabelecer regras especiais para exploração madeireira, em sistema de concessão, às empresas privadas do setor. A iniciativa, inédita no País, pretende frear a venda de terras a grandes empresas madeireiras estrangeiras. Com a concessão, elas deixariam de investir na compra de terras.
"A atividade madeireira é legal e reconhecemos as pressões da utilização da floresta; a concessão seria uma alternativa para que essa atividade seja o mais ordenada possível", disse o presidente do Instituto de Proteção do Meio Ambiente do Amazonas (Ipaam), Vicente Nogueira, adiantando que o governo está fazendo um levantamento de suas terras.
Nos últimos nove anos madeireiras de capital estrangeiro transformaram-se em grandes latifundiárias florestais, adquirindo mais de 1,2 milhão de hectares (área superior à metade do Estado de Sergipe). São terras ricas em biodiversidade. Os grupos malasianos e chineses, por exemplo, investiram US$ 30 milhões, comprando terras e madeireiras falidas.
O projeto de concessão do governo do Amazonas tem consultoria do economista ambiental James Cahn, pesquisador do Laboratório Nacional de Oak Ridge, Tenessee (EUA). "Ele preparou um estudo do sistema de concessão de florestas em todas as regiões tropicais, apontando vantagens e desvantagens ambientais e econômicas", disse Nogueira. "O estudo será o ponto de partida para a discussão do governo com a sociedade, a partir de junho."

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