Governo do Afeganistão impõe censura em eleições
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Folhapress 
São Paulo - O governo do Afeganistão ordenou ontem que meios de comunicação ocidentais e afegãos não falem de violência durante as eleições presidencial e provinciais que acontecerão na quinta-feira para que o medo não impeça os cidadãos de irem votar. O movimento fundamentalista islâmico Taleban já ameaçou realizar ataques no dia da votação e pediu aos cidadãos que fiquem em casa.
Somente ontem 22 pessoas morreram em diferentes ataques ocorridos em várias regiões do país. Entre os mortos estão militares da Otan (a aliança militar ocidental); equipes da Comissão Eleitoral Independente, a entidade afegã que é responsável pela organização e realização do pleito; e um candidato a conselheiro provincial.
O governo assinou dois decretos. O primeiro -e mais polêmico- é do Ministério de Relações Exteriores e proíbe a veiculação de informações sobre casos de violência.
Há duas particularidades. A primeira é a de que o texto não expõe fundamentos legais para a decisão nem informa eventuais consequências do seu descumprimento; e a segunda é que a versão em inglês dos documentos usa o termo request, que seria um pedido, no entanto, segundo a agência de notícias Reuters, a versão original, em dari -um dos idiomas oficiais do país-, afirma que a veiculação de notícias está estritamente proibida.
Desde a deposição do Taleban do poder, em 2001, os meios de comunicação afegãos cresceram muito. Há, atualmente, TVs e rádios privadas, bem como jornais e revistas.
Os ataques que aconteceram em diversas partes do país elevaram o grau de alerta para os problemas que o Taleban pode gerar para o pleito.
Com a censura à mídia, o governo pretende garantir um comparecimento mínimo para que todo o processo -que custou mais de US$ 225 milhões a doadores internacionais- tenha alguma legitimidade e para que o presidente eleito -ou reeleito, já que Hamid Karzai é candidato- tenha força para lutar contra as graves dificuldades do país.


