São Pau­lo - O go­ver­no do Afe­ga­nis­tão or­de­nou on­tem que ­meios de co­mu­ni­ca­ção oci­den­tais e afe­gãos não fa­lem de vio­lên­cia du­ran­te as elei­ções pre­si­den­cial e pro­vin­ciais que acon­te­ce­rão na quin­ta-fei­ra pa­ra que o me­do não im­pe­ça os ci­da­dãos de ­irem vo­tar. O mo­vi­men­to fun­da­men­ta­lis­ta is­lâ­mi­co Ta­le­ban já amea­çou rea­li­zar ata­ques no dia da vo­ta­ção e pe­diu aos ci­da­dãos que fi­quem em ca­sa.
  So­men­te on­tem 22 pes­soas mor­re­ram em di­fe­ren­tes ata­ques ocor­ri­dos em vá­rias re­giões do ­país. En­tre os mor­tos es­tão mi­li­ta­res da ­Otan (a alian­ça mi­li­tar oci­den­tal); equi­pes da Co­mis­são Elei­to­ral In­de­pen­den­te, a en­ti­da­de afe­gã que é res­pon­sá­vel pe­la or­ga­ni­za­ção e rea­li­za­ção do plei­to; e um can­di­da­to a con­se­lhei­ro pro­vin­cial.
  O go­ver­no as­si­nou ­dois de­cre­tos. O pri­mei­ro -e ­mais po­lê­mi­co- é do Mi­nis­té­rio de Re­la­ções Ex­te­rio­res e proí­be a vei­cu­la­ção de in­for­ma­ções so­bre ca­sos de vio­lên­cia.
  Há ­duas par­ti­cu­la­ri­da­des. A pri­mei­ra é a de que o tex­to não ex­põe fun­da­men­tos le­gais pa­ra a de­ci­são nem in­for­ma even­tuais con­se­quên­cias do seu des­cum­pri­men­to; e a se­gun­da é que a ver­são em in­glês dos do­cu­men­tos usa o ter­mo ‘‘­request’’, que se­ria um ‘‘­pedido’’, no en­tan­to, se­gun­do a agên­cia de no­tí­cias Reu­ters, a ver­são ori­gi­nal, em da­ri -um dos idio­mas ofi­ciais do ­país-, afir­ma que a vei­cu­la­ção de no­tí­cias es­tá ‘‘es­tri­ta­men­te ­proibida’’.
  Des­de a de­po­si­ção do Ta­le­ban do po­der, em 2001, os ­meios de co­mu­ni­ca­ção afe­gãos cres­ce­ram mui­to. Há, atual­men­te, TVs e rá­dios pri­va­das, bem co­mo jor­nais e re­vis­tas.
  Os ata­ques que acon­te­ce­ram em di­ver­sas par­tes do ­país ele­va­ram o ­grau de aler­ta pa­ra os pro­ble­mas que o Ta­le­ban po­de ge­rar pa­ra o plei­to.
Com a cen­su­ra à mí­dia, o go­ver­no pre­ten­de ga­ran­tir um com­pa­re­ci­men­to mí­ni­mo pa­ra que to­do o pro­ces­so -que cus­tou ­mais de US$ 225 mi­lhões a doa­do­res in­ter­na­cio­nais- te­nha al­gu­ma le­gi­ti­mi­da­de e pa­ra que o pre­si­den­te elei­to -ou ree­lei­to, já que Ha­mid Kar­zai é can­di­da­to- te­nha for­ça pa­ra lu­tar con­tra as gra­ves di­fi­cul­da­des do ­país.

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