Governo diz que não interfere no Pontal
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sábado, 11 de janeiro de 1997
Edson Luiz Agência Estado, de Brasília 
O governo federal está atento à situação do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, por causa da ameaça de enfrentamento de sem-terra e fazendeiros. Apesar disso, qualquer interferência policial na região será feita pela polícia paulista. O alerta foi feito ontem pelo ministro da Justiça, Nelson Jobim, que descartou qualquer intervenção federal na região. Esperamos que esta situação não redunde em conflitos e violência, disse Jobim.
O ministro criticou a ação do MST pela ocupação de várias fazendas. Esta é uma ação política, disse Jobim, assegurando que o MST está cometendo um equívoco, já que os governos federal e estadual vêm atuando para fazer a reforma agrária no Pontal. A atuação do MST está me surpreendendo, pois não há razão para isso; o que está havendo é falta de consideração do MST, observou.
O Ministério da Justiça entende que a Polícia Militar de São Paulo será capaz de evitar um conflito armado entre os sem-terra e a União Democrática Ruralista (UDR), a exemplo do que ocorreu no ano passado. A posição de Jobim coincide com a decisão do ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, de não negociar com o MST nos casos de invasão.
DesocupaçãoMas ontem o MST concordou ontem em deixar, nos próximos dias, as fazendas Porto Letícia e Santa Teresa, em Euclides da Cunha. As terras foram ocupadas segunda-feira, juntamente com outras três fazendas. O Itesp condicionou a negociação das terras pelo Incra à nossa saída das propriedades, disse Walter Gomes, um dos líderes do MST no Pontal. (Colaborou Maria Lígia Pagenotto, Agência Estado)


