São Paulo - O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, informou que 240 mil cápsulas de AZT, medicamento que compõe o coquetel antiaids, seriam encaminhadas ontem ao Estado de São Paulo e, na próxima semana, a ''situação estará resolvida''. Desde novembro, vêm ocorrendo irregularidades no fornecimento da medicação no Estado. O consumo do coquetel em São Paulo é de 1,8 milhão de comprimidos por mês.
Neste mês, o Estado recebeu apenas 60 mil. As informações são da Agência Brasil. Segundo o secretário, uma nova remessa, também de 240 mil comprimidos de AZT, está prevista para segunda-feira. E, na sexta-feira, mais 400 mil cápsulas chegam a São Paulo.
O corte no fornecimento foi decorrência da importação da matéria-prima do AZT, chamada de sal básico. Apesar de quatro laboratórios brasileiros produzirem o medicamento final, a matéria-prima vem da Índia, e ''o produtor descumpriu o contrato e atrasou em 60 dias a entrega'', explicou o secretário.
Quanto ao Atanzanavir, outro componente do coquetel antiaids, que também está em falta em São Paulo, a regularização no fornecimento será mais lenta. Apenas no dia 3 de março, o Atanzanavir voltará a ser distribuído. Segundo Jarbas Barbosa, o medicamento era menos utilizado e, no último ano, ''o consumo aumentou muito por causa da propaganda que o laboratório fez''.
O secretário disse que, para evitar um novo atraso no fornecimento, devido a problemas na importação, o Brasil irá fazer um ''estoque estratégico'' para se prevenir. Ele lembrou também que uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), chamada Profarma, está financiando estudos de laboratórios brasileiros para que, no futuro, o Brasil venha a produzir a matéria-prima.

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