Brasília, 30 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), os extrativistas e as organizações não-governamentais ambientalistas deverão definir metas para uma reforma agrária ecológica na Amazônia. O objetivo é encontrar alternativas ao desmatamento da região, com o incentivo a atividades que possam gerar renda sem degradar a Amazônia, como a pesca e o extrativismo.
Esta semana, o MMA e o MST já firmaram um acordo para a implantação de um projeto de educação ambiental nos assentamentos de reforma agrária. Na última rodada de negociação para um "pacto pela Amazônia" a assessora especial do Ministério do Meio Ambiente, Mary Allegrette, reuniu-se hoje com representantes do MST e ONGs ambientalistas. Disse que o processo de discussão foi muito produtivo e que os representantes de madereiras, pequenos e grandes produtores rurais e assentados deverão se comprometer com as mudanças. "É realmente um acordo", ressaltou.
No dia 15 de abril, o ministro Sarney Filho deverá revogar a instrução normativa 04 que suspendeu por 120 dias as autorizações para desmatamento na Amazônia. Na agenda positiva setorial definida hoje, o MST reivindicou que as políticas governamentais para agricultores e assentados sejam unificadas em relação às questões fundiárias e ambientais.
O coordenador nacional do MST, Mário Schons, afirmou que o movimento não apoia migração de trabalhadores sem-terra para a Amazônia e acusou o Ministério de Política Fundiária de incentivar a transferência de famílias de outras regiões para lá. "Nos últimos dois anos o maior número de assentamentos ocorreu no Mato Grosso, Pará e Amazonas". Mario Schons disse ainda que o governo usa a mesma política para assentamentos do Rio Grande do Sul e do Pará, o que, em sua avaliação, dificulta a viabilidade econômica dos assentados.
Schons admitiu que os sem-terra assentados na Amazônia acabam desmatando e vendendo a madeira para sobreviver, quando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) demora a liberar os recursos para implantação dos projetos. "Por trás dos assentados estão as madereiras e o governo deveria ter uma fiscalização maior", pediu. O representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Amilton Cazara, disse que a falta de orientação aos assentados está matando a possibilidade de futuros negócios nos assentamentos. Explicou que os assentados vendem toras de madeira para as madereiras por R$ 10 o metro cúbico e, agregando valor ao mesmo material, poderiam obter de R$ 90 a R$ 100 fabricando banquetas.

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