Brasília, 16 (AE) - Preocupado com a grave situação econômica das companhias aéreas, o governo começou a discutir hoje um programa de reestruturação do setor, que poderá contar com intermediação financeira do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A idéia é preservar as quatro companhias aéreas, mas não há uma decisão de como o ajuste será feito. Por isso mesmo, todas as medidas a ser tomadas atenderão, igualmente, a cada uma das empresas.
A solução será de longo prazo porque as dívidas das companhias são muito grandes. A cassação de empresas, a princípio, está descartada.
A reestruturação do setor foi discutida hoje durante reunião comandada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. Não houve decisões no encontro já que a intenção inicial era de se fazer apenas uma radiografia do setor, conferindo dados sobre a saúde das empresas.
Nenhuma das quatro empresas se encontra em situação confortável, sendo que a VASP vem enfrentando maiores problemas e chegou a ser ameaçada de perder suas linhas, por falta de pagamento de taxa de utilização dos aeroportos.
A reunião que deu início às discussões sobre a redefinição do setor foi convocada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, no Palácio do Planalto e contou com a presença dos ministros da Defesa, Geraldo Quintão e do Desenvolvimento, Alcides Tápias.
Também estavam presentes no encontro o secretário-Geral do Desenvolvimento, Milton Seligman, do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista, e do presidente do BNDES, Andrea Calabi.
Amanhã, o presidente da VASP, Wagner Canhedo, entregará ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista
um plano de refinanciamento das dívidas da sua empresa, estimadas atualmente em R$ 407 milhões.
Ainda amanhã vencerá o prazo para a VASP pagar uma nova parcela de cerca de R$ 1,5 milhão referente a utilização dos aeroportos durante a semana passada.
O governo tinha duas alternativas em relação aos problemas do setor: ou deixava as empresas quebrarem, o que não interessa ao Planalto, que acha que não pode prescindir de nenhuma delas, ou oferecia um socorro a elas. Mas tudo ainda será detalhadamente estudado e o governo deverá impor muitas restrições às empresas, para auxiliá-las.
De acordo com avaliações feitas pelo governo, as companhias aéreas chegaram a tal situação de penúria por má administração e por uma regulamentação incompetente do Departamento de Aviação Civil (DAC).
Juntamente com a reestruturação do setor, terão início as discussões sobre a desregulamentação da área de aviação civil, que virá com a criação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), cujo projeto está sendo analisado.
Vários bancos já haviam apresentado estudos de recuperação financeira das companhias. Só que nenhuma delas atendeu aos conselhos das instituições, preferindo persistir na suas próprias formas de administração.
Muitas outras reuniões serão realizadas pelo governo para encontrar uma saída para as empresas aéreas. Nos próximos encontros, o diretor do DAC estará presente, para apresentar os detalhes técnicos sobre as companhias.

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