São Paulo, 29 (AE)- O panorama econômico elaborado semanalmente pelo Lloyds Bank e divulgado hoje recomenda que o governo deve sinalizar com uma nova agenda de reformas, melhorando as expectativas para o ano 2.000. O estudo observa que para 99, não há muitas dúvidas de que o País deverá atingir a meta primária (3,1% d PIB), mas o que se coloca em questão é a qualidade do ajuste a ser obtido e principalmente quais serão as perspectivas para o próximo ano. "Aumento de impostos e controles de boca de caixa, são alternativas temporárias, que não trazem consistência às contas".
Essa análise do Lloyds decorre do resultado primário do governo central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central), que registrou em maio déficit de R$ 796 milhões, ante o superávit de R$ 2,4 bilhões em abril. "O principal motivo para tal reversão veio da conta outras despesas de custeio e capital (OCC), que representa basicamente os gastos do governo com investimentos em infra-estrutura e manutenção da máquina administrativa", diz o estudo. "De um saldo de US$ 2,53 bilhões em abril, subiu para R$ 3,54 bilhões em maio, voltando ao patamar de março (R$ 3,7 bilhões). O sobe e desce que pode ser observado nesse item ao longo dos cinco primeiros meses do ano, pode estar indicando que o governo vem realizando o controle de boca de caixa (segura algumas despesas em um mês, liberando-as no outro)".
Panorama externo - Segundo o Lloyds, externamente as incertezas quanto ao rumo da política monetária a ser adotada pelo FED têm aumentado as pressões sobre o real. "Internamente, as pressões vêm do maior volume de vencimentos de Eurobônus e remessas dos fundos do Anexo VI. O BC continua não intervindo, mas na última 5a.feira anunciou um leilão (para 30/6) de 1,5 milhão de NBC-E (títulos indexados ao dólar), como forma de aumentar a oferta de hedge ao mercado. A iniciativa foi inicialmente bem recebida, mas o mercado voltou a ser pressionado após a divulgação do déficit fiscal, não esperado, do governo federal, em maio. O dólar fechou a semana negociado a R$ 1,7904, acima dos R$ 1,7485 da semana anterior".
A análise semanal do Lloyds diz também que "a balança comercial de junho segue surpreendendo negativamente, com superávit de apenas US$ 11 milhões até o dia 24. As exportações mantém um fraco desempenho, com queda de 12,4% em relação a junho de 99. Por outro lado, as importações estão cedendo (11 9%), mas em ritmo inferior ao verificado nos meses anteriores. Assim, junho deverá ter saldo positivo próximo a US$ 180 milhões contra expectativas iniciais de US$ 550 milhões".

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