Agência Estado
De Brasília
O governo federal deve recuar da sua intenção de proibir totalmente o comércio de armas no País. A tendência é de que seja aceita a aprovação, pelo Senado, de uma proposta que restringe apenas a venda de armamentos de cano curto (revólveres e pistolas). Na terça-feira, as Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Relações Exteriores (CRE) deverão aprovar um parecer único dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Pedro Piva (PSDB-SP) ao projeto de lei do líder do governo, José Roberto Arruda (PSDB-DF). Ele atende aos interesses do grupo que se opõe à proibição total.
O texto que deve ser aprovado é muito semelhante ao parecer que Piva já havia apresentado na CRE, contrário ao projeto governista. Apesar de provavelmente levar a assinatura de Calheiros, ele terá pouca relação com o substitutivo apresentado pelo peemedebista na CCJ, que previa a proibição total.
A proposta deverá cassar todos os portes de arma existentes no País, mas manterá o direito de compra de armamentos de cano longo, como fuzis, espingardas e carabinas. A justificativa é a de que essas armas, de manuseio mais difícil do que revólveres, têm caráter defensivo e são usadas nas propriedades em caso de invasão.
Ainda está pendente de acordo o que fazer em relação aos proprietários de revólveres e pistolas legalizados. Piva tenta negociar com Calheiros, Arruda e o ministro da Justiça, José Carlos Dias, para que eles mantenham o direito dessas pessoas de guardar essas armas em suas residências.
A posição do governo federal, no entanto, é a de exigir que esses armamentos sejam entregues às autoridades. Nesse caso, os proprietários teriam direito a receber uma indenização.
O texto a ser aprovado também deverá proibir a exportação de armamentos para todos os países que fazem fronteira com o Brasil.

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