Curitiba, PR- O governo do Paraná, primeiro do país a adotar lei do desarmamento, acumula uma dívida R$ 1,2 milhão de indenizações a cidadãos que entregaram suas armas em troca de prêmio único de R$ 100, neste ano. De janeiro até junho, a campanha do desarmamento tirou de circulação no Estado cerca de 20 mil armas, mas apenas 8 mil foram indenizadas.
A oposição ao governador Roberto Requião (PMDB) chama o atraso de ''calote'', mas a Delegacia de Armas e Munições, gerenciadora da campanha, credita a maior parte da dívida à burocracia. O cidadão que se desfaz de uma arma no interior tem a promessa de receber o prêmio em 30 dias, mas o tempo só começa a contar depois de o processo dar entrada na delegacia de Curitiba.
Ontem o secretário da Segurança Pública, Luiz Carlos Delazari, disse que o governo liberará R$ 500 mil na próxima semana para cobrir a entrega de 5 mil armas.
Nos seis primeiros meses do ano, o gasto estadual com a campanha foi de R$ 2 milhões. Do total, R$ 800 mil se destinaram às bonificações. A maior parte foi empregada em material de divulgação e logística. O dinheiro foi tirado de outros programas da Segurança Pública, já que não havia rubrica específica para esse fim no orçamento para 2004.
Entre as pessoas ainda com dinheiro a receber estão os policiais civis e militares que apreenderam armas em operações de rotina. A lei sancionada por Requião em dezembro de 2003 garante o prêmio aos policiais, mas os critérios mudaram. Se houver apreensão de até cinco armas em um único mês, por exemplo, a bonificação será parcelada em cinco vezes.
Delazari disse que o Paraná foi parâmetro da adoção da indenização do governo federal, mas que não haverá adaptação estadual à campanha nacional. ''A escolha caberá ao cidadão'', afirmou. Ele disse que a estrutura das polícias estaduais facilita o recolhimento pelo Estado. ''A Polícia Federal não está presente em todas as cidades, como as polícias Militar e Civil estão.''
Delazari afirmou ainda que o pagamento de prêmios maiores pela PF não será relevante no Paraná. ''Até hoje, nunca recolhemos um fuzil por entrega espontânea.''
Das 20 mil armas apreendidas no Estado, cerca de 5 mil já foram destruídas. Segundo dados da PM, o número de disparos por armas de fogo em Curitiba e região metropolitana reduziu cerca de 31% no período da campanha, comparado a igual período de 2003. Em Londrina (norte do Estado), o índice caiu 27%.
Também devido às apreensões, o número de prisões por porte ilegal de armas também aumentou. Em Curitiba, o total de detenções subiu 27,8%. Foram 2.791 pessoas presas de janeiro a abril deste ano, enquanto que no ano passado foram 2.014. No interior do Estado, de janeiro a maio, o aumento foi de cerca de 10% em comparação ao mesmo período de 2003.

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