Brasília, 13 (AE) - O governo deverá aumentar a oferta de café de seus estoques oficiais à indústria de torrefação a partir deste mês, segundo informou à Agência Estado o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cesar Samico. Segundo ele, a intenção é a de promover leilões quinzenais - em vez de um leilão mensal como está programado até o final do ano - e dobrar a oferta de café, que passará das atuais 150 mil sacas para 300 mil sacas de café mensais."Queremos leiloar a mesma quantia que oferecemos no final de 1999", disse ele.
A razão para dobrar a oferta de café à indústria, conforme Samico, se deve a necessidade de garantir o abastecimento interno. O governo possui um estoque de 7,7 milhões de sacas de café de safras antigas. O primeiro dos 12 leilões programados para este ano foi realizado na última quarta-feira (12) e foram compradas pela indústria cerca de 95% das 150 mil sacas de café arábica ofertada. A venda deu um retorno de R$ 23 milhões aos cofres do Funcafé (Fundo Nacional do Café), segundo Samico, uma vez que foi registrado um ágio de 5% nos preços.
O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura também informou que o governo vai reavaliar a proposta que tinha de emprestar cerca de R$ 600 milhões para os cafeicultores através de empréstimos para pré-comercialização a partir de abril próximo. Esta quantia seria suficiente para reter aproximadamente 6 milhões de sacas de café em poder dos produtores. Samico disse que esta medida precisa ser revista em função da quebra prevista para a colheita de café da safra 2000/2001.
A estimativa inicial do mercado era de que a próxima safra de café ficasse em torno de 40 milhões de sacas. Problemas causados pela estiagem, no entanto, farão com que a produção seja reduzida a 28,9 milhões de sacas (previsão feita pela Empresa de Pesquisa Agropecuária - Embrapa em outubro/novembro) passados. Em maio haverá uma nova avaliação feita pela Embrapa e esta quantia poderá ficar um pouco abaixo dos 28,9 milhões de sacas. Em função da quebra anunciada, os preços do café no mercado externo já começaram a disparar. Samico diz que uma saca de café (60 quilos) que custava US$ 80 em setembro passado já está custando US$ 140. Mesmo com a redução na safra brasileira, ele garante que as exportações não serão prejudicadas. "Nossa intenção é a de exportar US$ 3 bilhões neste ano, ao invés dos US$ 2 bilhões que exportamos no ano passado", afirmou.

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