Governo destina R$ 100 mi à segurança
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terça-feira, 12 de agosto de 1997
Das agências Brasília 
Os estados, que a partir do próximo ano já passarão a ter responsabilidade exclusiva sobre as polícias, vão receber R$ 100 milhões do governo federal para compra de armas, viaturas e equipamentos. Os recursos foram prometidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que autorizou o Ministério da Justiça a incluir uma rubrica especial no Orçamento de 1998. Ontem, o governo começou a discutir com a comissão especial da Câmara o projeto de reestruturação da segurança pública, que recebeu pequenas sugestões de mudanças por parte dos governadores.
Além de estudar a destinação de recursos das loterias para um fundo de segurança pública, o governo quer que os estados mantenham as polícias equipadas. O Ministério da Justiça fez uma exposição de motivos aceita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, colocando uma nova rubrica no Orçamento de 1998 para equipar as polícias, disse o ministro Íris Rezende. Segundo ele, o governo já havia conseguido que o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Sarney Filho (PFL-MA), abrisse exceção para a inclusão desses recursos.
Durante o encontro da semana passada com Íris Rezende, os secretários de Segurança Pública consideraram a falta de recursos como um dos principais problemas para a transferência das polícias para os estados. O secretário do Rio Grande do Norte, por exemplo, disse que, nos 160 municípios de seu Estado, cem não tinham viaturas para trabalhar, explicou o ministro da Justiça. Por isso criamos esta rubrica nova no orçamento.
Apenas dois dos oito governadores que se reuniram na semana passada com o presidente Fernando Henrique Cardoso apresentaram sugestões de alterações no projeto do governo de reestruturação do setor de segurança pública. A proposta mais polêmica, que deverá ser rejeitada pelo governo federal, foi apresentada pelo governador do Rio Grande do Sul, Antonio Britto (PMDB). Ele quer suprimir da Constituição o artigo que coloca a Polícia Militar como força auxiliar do Exército.
Britto sugeriu total independência dos estados para gerir os destinos de suas polícias. O governo federal não pode abrir mão de certas condições, como controle do efetivo, armamentos e acompanhamentos da atuação das PMs, afirmou Rezende. Já pensou se em algum estado assume um governador destemperado e quer proclamar a independência de sua região? O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), sugeriu que o governo modificasse o texto do artigo 125 da Constituição, extinguindo também as estruturas atuais das Justiças Militares dos estados.
Adicional - O governo do Ceará concedeu uma complementação salarial no valor de R$ 100 para os cerca de 14 mil integrantes das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros do Estado. O ato de concessão do complemento foi publicado na sexta-feira, no boletim interno da Secretaria de Segurança Pública e Defesa da Cidadania. A medida acrescentará cerca de R$ 1,4 milhão à folha de pagamento do Estado.
Na PM e no Corpo de Bombeiros, serão beneficiados todos os escalões, inclusive os oficiais. Apenas os delegados da Polícia Civil não foram contemplados.


