Curitiba- Policiais militares acompanharam, ontem, a desocupação de duas áreas invadidas por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pertencentes à Araupel, entre os municípios de Nova Laranjeiras (118 km a leste de Cascavel), Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava), Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel) e em Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava).
Uma terceira desocupação, a da Fazenda Solidor, foi suspensa por pedido do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que tem interesse em comprar a área. Também seria desocupada uma área conhecida como Erval (e não Erva-Mate como informou, recentemente, o advogado da Araupel, Paulo Macarini), em Quedas do Iguaçu. No entanto, a reintegração de posse foi suspensa por ordem judicial.
A primeira desocupação foi a da área conhecida como Lambari, em Laranjeiras do Sul, onde estavam acampadas cerca de 50 famílias desde o final do ano passado, logo depois que se iniciaram as negociações para a desapropriação de uma área de 25 mil hectares pelo Incra. Segundo informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública, trabalhadores rurais de um assentamento vizinho (o Marcos Freire) estariam apenas usando a terra para plantar e não tinham erguido acampamento no local.
A outra área desocupada foi do projeto 13-A da Fazenda Pinhal Ralo (também da Araupel), invadida na madrugada do último dia 28 por cerca de 150 famílias. Segundo o governo, os líderes da ocupação concordaram em sair ''pacificamente'' da área, mas queriam a presença de um oficial de Justiça para começar a desmontar acampamento, o que só aconteceu no final da tarde de ontem. A área, de aproximadamente 400 hectares (ha), é destinada ao reflorestamento. O Incra já avisou que não há interesse na área.
A Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu fechou as portas ontem por volta das 16h30 por causa da desocupação. ''Fechamos por precaução. Vai que alguém resolve ocupar o prédio para fazer manifestação'', afirmou ontem o secretário de Agropecuária de Rio Bonito, Sérgio Folda. Entre 15 e 20 ônibus da prefeitura foram enviados para o acampamento para o transporte das famílias. Até o início da noite de ontem, não havia registro de qualquer incidente ou violência na desocupação.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) quer que a implantação de um assentamento na área de 25 mil ha da Fazenda Araupel para cerca de 1,5 mil a 2 mil famílias de sem-terra seja muito bem estudada.
O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, repetiu ontem o que já havia declarado à CPI da Terra na Assembléia Legislativa, na última terça-feira: que o Incra deve propor alternativas econômicas como apicultura, por exemplo, para assegurar que a mata nativa existente na área seja preservada.
Rasca Rodrigues deixou claro que o IAP é contra o fracionamento da floresta nativa. Segundo avaliação do órgão, dos 25 mil ha, 9 mil ha são de mata nativa e cerca de 6 mil ha são de reflorestamento, restando pouco espaço de área agriculturável. O receio do órgão, justificou, é que os problemas de desmatamento em acampamentos de sem-terra que, segundo ele, já acontecem, repitam-se naquela área.

mockup