Brasília, 18 (AE) - O Ministério de Minas e Energia não prevê a existência de problemas no abastecimento de energia no próximo verão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "Estou muito tranquilo mesmo, não vai faltar energia", garantiu hoje o ministro Rodolpho Tourinho. Nos próximos meses e ao longo do ano 2000 o governo vai trabalhar para manter uma reserva de 1,5 mil megawatts de energia entre o volume máximo do consumo e a capacidade de geração do País.
Esta folga, assegurou o secretário de energia do Ministério, Benedito Carraro, será capaz de manter o abastecimento nacional com segurança. A principal expectativa do governo é a retomada definitiva do período de chuvas em novembro.
O período de estiagem deste ano foi o mais intenso dos últimos anos, e a estimativa é que os reservatórios de água deverão chegar a uma capacidade entre 33% e 35% da capacidade no final da seca. Ainda assim com as chuvas, seria possível retomar o volume de água acima de 80%, capaz de abastecer com tranquilidade o País ao longo do verão.
Outro argumento utilizado pelo governo para afastar o risco de déficit de energia nos próximos meses é a vigência até fevereiro do horário de verão. Na primeira semana ocorreu uma economia maior do que a esperada. "Os resultados são melhores do que esperávamos", disse Tourinho. Ele admite que boa parte do resultado positivo deve-se às baixas temperaturas, mas ainda assim não há perspectiva de picos de consumo acima da capacidade instalada de geração do País.
Segundo dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia, no sistema elétrico das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a redução da demanda de energia no horário de pico
entre 18 horas e 21 horas, na terça-feira, dia 5, foi de 8,5%, quando o esperado era no máximo 6%.
Os dados do Ministério apontam que no dia 5 a demanda máxima de energia chegou a 39.273 megawatts (MW), às 21h17 Este volume representa mais de 4 mil megawatts de folga em relação à capacidade máxima de produção do período, que estava em torno de 44 mil MW. Na terça-feira anterior, dia 28 de setembro, o consumo máximo foi de 42.939 MW, às 19h05. Com o horário de verão o horário de pico teve um deslocamento de 1 hora e 12 minutos.
Carraro afirma que se houver um aumento acentuado da demanda de energia ao longo do ano, o governo terá condições de administrar o fornecimento. "Se o consumo for maior do que planejamos teremos que colocar mais entre 300 megawatts a 400 megawatts no mercado", afirmou.
Segundo Tourinho, o governo está fazendo um acompanhamento diário na demanda de energia no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, os dois Estados onde o abastecimento é mais crítico, pois consomem mais energia do que produzem. "Não há sinal de que haja problema no sul", afirmou Tourinho. No Rio de Janeiro o governo prevê a entrada em operação no próximo verão da Usina Nuclear de Angra II, da térmica da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Usina Hidrelétrica de Rosal. "Estamos aumentando a oferta de energia no Rio de Janeiro nos próximos meses", disse Tourinho.

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