Governo descarta problemas com principais serviços públicos
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quinta-feira, 30 de dezembro de 1999
Por Gustavo Paul e Cláudia Dianni 
Brasília, 30 (AE) - O governo acredita que os principais serviços públicos do País estão preparados e não devem ser afetados pelo bug do ano 2000. De acordo com as autoridades responsáveis pela infra-estrutura e segurança do País, todas as providências técnicas possíveis foram tomadas na esfera federal e vários planos de contingência estão prontos no caso de eventuais problemas.
Hoje, na véspera da virada do ano 2000, o governo encerrou os últimos relatos sobre as medidas adotadas nos setores de energia elétrica, telecomunicações, transportes, arrecadação e Polícia Federal.
A Polícia Federal colocará de prontidão o efetivo de 3.000 policiais para enfrentar quaisquer problemas de ordem pública. Segundo o responsável pelas operações da PF na virada do ano, delegado Adauto Duarte, a principal preocupação da instituição é a segurança das instalações de bancos federais, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, no caso de haver problemas com caixas eletrônicos. "Nossa maior preocupação é garantir a integridade do patrimônio da União", afirmou Duarte.
Os agentes da PF também estarão atentas às grandes aglomerações de pessoas. "Nossas equipes estão preparadas, inclusive para prevenir atentados", disse Duarte. Segundo ele, não há o temor de que possam existir atentados terroristas em grandes eventos na noite de amanhã, como ocorre nos Estados Unidos. Ainda assim, garantiu o delegado, a polícia estará alerta, inclusive na segurança das embaixadas, em Brasília.
O Ministério dos Transportes também anunciou que as cinco concessionárias privadas das rodovias federais se comprometeram a liberar os postos de pedágio que tiverem problemas decorrentes do bug do ano 2000. O objetivo do governo é evitar que ocorram nos primeiros minutos do ano engarrafamentos com mais de 500 metros nestes postos.
"Estamos orientados a escoar o tráfego pelas pistas laterais dos pedágios, se ocorrer algum problema motivado por falha nos computadores decorrentes do bug", explicou o coordenador de policiamento e fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, Walter Ciocci. Ele esclareceu que a medida não vale para os prováveis engarrafamentos que ocorrerão no domingo, na volta do feriado.
A Receita Federal, que gastou R$ 40 milhões para adaptar o sistema de informática ao bug, também reforçou de 200 para 500 o número de fiscais e técnicos nos aeroportos, portos e fronteiras secas do País.
Segundo o coordenador da Receita para o bug, Pedro Luiz Bezerra, a liberação de bagagem e passageiros nos aeroportos estará funcionando normalmente, mas o envio e o recebimento de cargas amanhã e depois só serão feitos para medicamentos, materiais radioativos ou perecíveis.
Tanto a Polícia Federal quanto a Receita reforçaram as medidas de segurança para evitar hackers no sistema da receita. De acordo com Bezerra, mensalmente são detectados de 1.000 a 1.200 ataques aos sistema da Receita. "Temos uma equipe de peritos de plantão para identificar na origem estes hackers, até mesmo se eles estiverem no exterior", disse Duarte, da Polícia Federal.
Os técnicos dos setores elétrico e de telecomunicações garantiram que todas as medidas foram tomadas para evitar falhas nos computadores das empresas prestadoras de serviços. No setor elétrico, a recomendação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é que os grandes consumidores comuniquem com antecedência às concessionárias a intenção de desligar e ligar os equipamentos. No caso de uma queda abrupta da demanda, poderá haver problemas quando ela voltar ao normal.
O gerente de qualificação técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Gilson Oliveira informou que um dos planos de contingência, para caso de falhas, será a utilização do sistema paralelo de comunicação da Embratel. De acordo com Oliveira, esse sistema não depende da rede nacional de telefonia por ser independente e estar conectado por telefones PABXs da Embratel com grande capilaridade em todo o País. O sistema, segundo o técnico, permite discagem imediata entre todos os prestadores de serviço do País.


