Curitiba Preso desde agosto do ano passado, o investigador Samir Skandar está oficialmente demitido da Polícia Civil do Paraná. O decreto foi assinado ontem pelo governador Roberto Requião (PMDB) depois das apurações feitas durante o processo administrativo disciplinar do Conselho da Polícia Civil. O ex-policial civil é acusado de formação de quadrilha. Ele atuaria em um esquema de furto e roubo de carros, providenciando locais para deixar provisoriamente os veículos furtados ou roubados. Os carros eram depois enviados para Foz do Iguaçu e Florianópolis (SC), onde eram desmanchados, vendidos e levados para o Paraguai.
De acordo com o conselho, Skandar tinha informações privilegiadas dos veículos furtados por trabalhar na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. Ele é acusado de clonar a placa dos carros para burlar eventuais fiscalizações durante o trânsito dos veículos roubados de um local para outro. Skandar teve seu nome ventilado como envolvido com o crime organizado pela primeira vez em março de 2000, durante a passagem da CPI Nacional do Narcotráfico pelo Paraná. Ele foi preso e liberado por algumas vezes, antes da última prisão há dez meses. Skandar foi encontrado escondido dentro de um guarda-roupa com um fundo falso na casa onde morava, em Curitiba.
Na residência, os policiais recolheram duas pistolas com a inscrição da Polícia Civil e um revólver calibre 38, além de várias identidades e cartões magnéticos falsos. Todas as armas estavam carregadas e prontas para uso. Skandar seria ainda parceiro do empresário Paulo Pacheco Mandelli, apontado como um dos maiores receptadores de carros furtados e roubados do Paraná. O ex-policial receberia um extra para proteger os negócios de Mandelli, que também está preso em Curitiba desde o ano passado. O investigador ainda é apontado como um dos responsáveis pelo assassinato do estudante Pablo da Silva Mesquita, em abril de 2002, no Edifício Castelo Branco, no Centro Cívico, em Curitiba.
Atualmente, Skandar está preso no Centro de Triagem de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, e aguarda julgamento pelos supostos crimes praticados.

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