Neste ano, já foram notificados quase 1 mil novos casos suspeitos de microcefalia no País
Neste ano, já foram notificados quase 1 mil novos casos suspeitos de microcefalia no País | Foto: Christophe Simon/AFP



Brasília – O Ministério da Saúde declarou nesta quinta-feira (11) o fim da emergência nacional decretada em novembro de 2015 devido ao vírus da zika e sua associação com microcefalia e consequências neurológicas. A decisão foi tomada diante da redução do número de casos da doença e seis meses após a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspender o estado de emergência internacional pelo vírus.

O estado de emergência decretado em 2015 era específico para microcefalia, uma má-formação até então considerada rara e que teve um aumento inexplicado no período, sobretudo nos estados de Pernambuco e Paraíba. Na ocasião, já havia a suspeita de que a explosão de nascimentos de bebês com o problema era provocada pela infecção do vírus da zika. A hipótese foi confirmada meses depois.

Desde então, o Brasil registrou 13.490 casos suspeitos de microcefalia, dos quais 2.653 foram confirmados. Há, no entanto, quase 2.900 casos ainda em investigação. Justamente por isso, o anúncio do fim da emergência nacional dividiu integrantes do Ministério da Saúde, de acordo com informações obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O receio maior é o de que, com o fim da emergência, a assistência a crianças com o problema, que hoje já é considerada falha, seja duramente afetada. Opositores da medida argumentam que, somente neste ano, já foram quase 1 mil novos casos suspeitos de microcefalia notificados. Embora bem menor do que o registrado no passado, é uma marca ainda considerada extremamente preocupante. Além disso, há ainda 3 mil crianças em investigação, com suspeita da doença.

A Secretaria de Vigilância em Saúde justifica o fim da emergência no Regulamento Sanitário Internacional. "Já há conhecimento científico suficiente", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Adeilson Loureiro. "A própria mobilização do ponto de vista de pesquisa, de insumos e de recursos foi suficiente. Os estudos continuam e vamos prosseguir na rotina de combate às arboviroses", afirmou.

REDUÇÃO
Segundo o ministério, os dados de microcefalia têm apresentado redução importante no número de casos novos notificados a cada semana, desde maio de 2016. Os casos novos mensais têm se mantido em 2%, desde janeiro deste ano; no pico dos casos de microcefalia, em dezembro de 2015, foi registrado aumento de 135% nas notificações.
"Do ponto de vista prático, não tem nenhuma mudança na assistência, na vigilância ou no diagnóstico", disse Loureiro, reforçando que a retirada da emergência não enfraquece as políticas públicas que foram implantadas no período.
Para o ministério, o conjunto de ações voltadas para a eliminação dos mosquito Aedes aegypti contribuiu para a diminuição dos casos. Além disso, há uma maior proteção pessoal da população, escassez de chuvas em determinadas regiões do País e a imunização natural que as pessoas adquirem ao ter alguma das doenças em anos anteriores.

CASOS
O último boletim epidemiológico, de 1º de janeiro a 15 de abril deste ano, aponta redução de 90,3% dos casos de dengue; 95,3% de zika; e 68,1% de chikungunya em relação ao mesmo período de 2016.

Em 2017, foram confirmados 230 casos de microcefalia ligados a outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. Permanecem em investigação pelo Ministério da Saúde e pelos estados, 2.837 casos suspeitos em todo o País. No total, 3.651 casos foram notificados neste ano.

Desde o início das investigações, em novembro de 2015, foram notificados ao Ministério da Saúde 13.490 casos, com 2.653 confirmações. Outros 5.712 casos foram descartados e 105 foram considerados prováveis. Há ainda 1.784 casos excluídos do sistema por não atenderem às definições de caso vigentes.

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