O governo não fez concessão ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e decidiu manter a proposta que havia apresentado, de um crédito de R$ 2 mil a cada uma das 110 mil famílias assentadas, com um desconto de R$ 200,00 no pagamento e mais um bônus de R$ 40,00 para os adimplentes. No encontro do presidente Fernando Henrique Cardoso com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), anteontem à noite, foram tratados todos os pontos da pauta de reivindicações do movimento.
‘‘O governo fez sua parte e entende que é aquilo que pode dentro dos limites disponíveis’’, afirmou ontem o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, que participou do encontro. ‘‘Do meu ponto de vista, existe uma proposta para acordo; o governo manteve sua posição, entendendo que ela é factível e que estava quase encaminhada’’, disse o ministro. A proposta do bônus adimplência surgiu durante a reunião de terça-feira passada entre representantes dos sem-terra e do governo.
A proposta do governo é uma modificação da linha C de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Prevê o crédito de custeio de R$ 2 mil, com juros de 4% ao ano. O agricultor tem um desconto de 200 reais na hora de pagar e, com a evolução da proposta, passou também a contar com o bônus. Com isso, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o assentado que tomar emprestado R$ 2 mil pagará, ao fim de um ano, R$ 1.840,00.
O MST foi ontem à tarde à CNBB tomar conhecimento dos resultados da audiência. Coordenador nacional do movimento, Gilberto Portes afirmou que qualquer decisão será tomada a partir de consulta às bases, em 23 Estados, e a entidades ligadas ao MST, entre elas, as Pastorais da Terra e da Juventude. ‘‘Com certeza, nossa base está decepcionada, mas vai discutir’’, disse ele. No dia 9, o MST anunciará o resultado da avaliação interna.

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