Brasília, 07 (AE) - O governo vai endurecer com os invasores de terra, depois das ocupações feitas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). O governo só deverá iniciar as vistorias para desapropriação um ano depois que as áreas forem desocupadas. A decisão foi tomada na noite de hoje em reunião entre os ministros da Política Fundiária, Raul Jungmann, e da Justiça, Renan Calheiros, com o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso.
Caberá ao ministro Jungmann anunciar a decisão de suspensão de vistoria das terras invadidas, uma regra criada no ano passado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), depois de uma onda de ocupações feitas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A iniciativa do governo de ampliar o prazo para o início das vistorias, primeiro passo para a desapropriação de terras, é uma reação à iniciativa da Contag em fazer invasões em massa. Anteriormente, o governo não vinha aplicando o decreto que prevê o cancelamento da reforma agrária em terras invadidas.
O presidente Fernando Henrique está preocupado com o aumento das invasões no País e já advertiu que qualquer ato contra a lei será respondido a altura pelo governo. O porta-voz do Planalto reiterou que qualquer um que infrinja a lei terá que assumir as consequências de seus atos.
As invasões de terra, deflagradas esta semana, não surpreenderam o governo federal. O presidente já havia sido alertado de que a partir do mês de abril as tensões sociais cresceriam no País, agravadas pelo aumento do desemprego e da crise econômica. A área de inteligência do governo está acompanhando atentamente toda a mobilização da Contag, que no momento está liderando as invasões, assim como as movimentações dos sem-terra.
Para se contrapor a essas ações, o governo foi aconselhado a mostrar o que está fazendo pela área social, anunciando as medidas que já foram e estão sendo adotadas para beneficiar, principalmente, as populações carentes. Fernando Henrique já tem feito isso em seus discursos nas últimas semanas e prosseguirá agindo da mesma forma.
As invasões ocorreram em sua maior parte no estado de Pernambuco. Para o governo, o local foi escolhido, por falta de ação das autoridades locais no governo anterior - Miguel Arrais nunca combateu as invasões. Antes mesmo de Jarbas Vasconcelos tomar posse, autoridades do governo federal já haviam conversado com ele para que não cedesse às pressões e não aceitasse pacificamente as ocupações, como Arrais estava fazendo.
Na época, Vasconcelos concordou com o governo federal. Agora, o Planalto aguarda ação não só do governador pernambucano
como também dos demais Estados que estão sofrendo com problemas semelhantes.

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