Governo decide até junho se executa transposição das águas do São Francisco
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Isabel Braga 
Brasília, 21 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso estabeleceu o final de junho deste ano como prazo limite para o governo decidir se executa ou não o projeto de transposição do rio São Francisco. Segundo o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, se o presidente aprovar o projeto, as obras começarão no final deste ano, com conclusão prevista para três anos. O custo total da obra - que permitirá a oferta de água, por 25 anos, para quatro Estados do Nordeste - é de US$ 1,5 billhão, segundo Bezerra.
O relatório de impacto ambiental da obra deverá estar pronto em abril e os estudos de viabilidade econômica e engenharia, em junho. Hoje o ministro apresentou pela primeira vez o projeto ao presidente Fernando Henrique Cardoso e a outros sete ministros em reunião no Palácio da Alvorada. "O presidente determinou que os estudos sejam acelerados, que eu me entenda com os outros ministros e disse que decidirá em junho", afirmou Bezerra. Para que seja aceito, o projeto precisa ser aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Agência Nacional de água que ainda não foi criada.
O ministro mostrou hoje como pode ser executada a obra que beneficiará os Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Segundo o ministro a obra é importante porque permitirá que se mantenha constante a oferta de água na região, garantindo assim a permanência da população nas cidades. "A partir de 2001, haverá um desequilíbrio hídrico na região e então, ou levamos água ou haverá um fluxo migratório para outros Estados", disse Bezerra. Dos quatro Estados, apenas Pernambuco possui rios perenes.
RESISTÊNCIA - Se tem apoio declarado de três dos quatro Estados beneficiados (PB, CE, RN), o projeto encontra muita resistência em outros três Estados da região: Bahia, Sergipe e Alagoas. O ministro admitiu que a transposição provocará uma perda de 1,5% na produção de energia da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). Mas argumentou que é possível recuperar essa perda com a utilização de energia de termoelétricas que o governo está construindo na região.
Para o ministro, há resistência ao projeto em razão do desconhecimento do seu teor. "A transposição é apenas bombear uma quantidade mínima da vazão do São Francisco para locais onde não há água ", explicou. Segundo a proposta apresentada hoje, em 25 anos será possível retirar 64 metros cúbicos por segundo de água do São Francisco, que tem uma vazão de 2060 metros cúbicos por segundo. "Em média 2,5% da vazão; nem o medidor de vazão é capaz de detectar", acrescentou. "E irá proporcionar mais de 300 mil hectares irrigáveis na região".
De acordo com o ministro, cada metro cúbico retirado do São Francisco significará 3 metros cúbicos de água para as regiões afetadas, porque a água será armazenada em barragens. Bezerra acredita que quanto mais expuser o projeto aos políticos e à sociedade, menores serão as resistências. "Não sou dono da verdade e esse nem é um projeto meu: vem sendo discutido há 150 anos", disse. "Mas quero que seja tomada uma decisão racional." Nos próximos dias, será veiculada uma campanha na televisão para divulgar o projeto.


