São Paulo, 28 (AE) - O atraso na privatização do Banespa levou a uma mudança na forma como o governo paulista deve quitar parte dos 20% da dívida estadual renegociada com a União. Um acordo fechado recentemente entre o governo paulista e o federal determina que uma parcela dos recursos obtidos com a venda da Cia. Paranapanema, que foi a leilão hoje, seja usada para pagar as debêntures da Companhia Paulista de Ativos, que totalizam R$ 480 milhões, em vez de abater a conta gráfica. O valor correspondente vai ser deduzido do resultado da venda do Banespa que couber ao governo de São Paulo, explicou o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Yoshiaki Nakano.
O leilão rendeu R$ 1,2 bilhão, quantia que será dividida proporcionalmente entre o Tesouro paulista, a CPA e a Nossa Caixa, integrantes do bloco de venda de controle. Nakano disse que o mesmo procedimento pode ser adotado no leilão da Cia. de Energia Elétrica Tietê, a próxima a ser privatizada.
Inicialmente, o acordo entre Estado e União previa que os recursos da privatização seriam utilizados para quitar as warrants da Cesp. As warrants (ações) da companhia paulista foram dadas em gerantia do pagamento da conta. Conforme São Paulo fosse vendendo os ativos da Cesp, quitaria as warrants.
Poderia, também, usar os recursos na venda do Banespa, segundo explicou o governador Mário Covas. Só que a privatização do banco paulista está emperrada e, de acordo com ele, não seria justo o governo paulista usar os recursos da privatização para honrar apenas a dívida com a União se o Estado tem outros débitos. Até porque, disse, "não é culpa nossa se a privatização não sai".

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