São Paulo, 02 (AE) - O governo paulista prevê um total de R$ 40 bilhões em investimentos públicos no Estado para os próximos quatro anos, entre 2000 e 2003. O valor é quase o dobro dos investimentos aplicados nos quatro anos anteriores. Entre 1996 e 1999, a administração Mário Covas (PSDB) investiu cerca de R$ 20 bilhões.
As informações foram dadas hoje pelo secretário estadual de Planejamento, André Franco Montoro Filho, que entregou o Plano Plurianual 2000/2003 do Estado para o presidente da Assembléia Legislativa, Vanderlei Macris (PSDB). A proposta estabelece as diretrizes que a administração tucana deverá seguir nestes quatro anos.
O valor total do Plano é de R$ 202,6 bilhões, incluindo a projeção de custeio da máquina administrativa e de recursos para investimentos. Deste montante, R$ 124,3 bilhões são recursos próprios do Estado e R$ 78 bilhões provenientes de concessões, de empresas públicas e empréstimos.
O aumento do valor destinado para investimentos nestes próximos quatro anos ocorre, segundo Montoro Filho, porque o governo tomou a decisão de aplicar o aumento da arrecadação neste setor, ao invés de destiná-lo ao custeio da máquina. Boa parte do aumento de investimentos, de acordo com o secretário, decorre também de recursos próprios da Sabesp e de empréstimos que ainda serão firmados com o governo paulista.
O governo reservou a maior parte de seus investimentos para o setor de Transportes. Ao todo, essa área deve receber R$ 9,2 bilhões entre 2000 e 2003. A intenção da administração tucana é ampliar as linhas do metrô e fazer a interligação com os trens metropolitanos. O dinheiro será distribuído entre a companhia do Metrô e CPTM. O setor de habitação também receberá um montante alto: R$ 2,5 bilhões.
A administração tucana trabalhou com um cenário otimista para a projeção do Plano Plurianual. O secretário previu um crescimento de 4,5% da economia neste período e também apresentou números levando em conta apenas a inflação estimada para este ano. Dentre os R$ 78 bilhões que a administração calcula ter como "outros recursos", pelo menos R$ 20 bilhões estão sendo previstos como empréstimos que nem sequer foram firmados e que podem não existir.
O Plano, porém, poderá sofrer modificações na Assembléia, onde receberá emendas antes de o texto ser votado pelo plenário da Casa. Não existe nenhuma garantia de que o Plano Plurianual será cumprido. Isso porque o governo poderá modificá-lo da forma que quiser ao longo dos quatro anos. "É um plano orientador e não pode ser alterado ao bel prazer, qualquer modificação terá de ser aprovada pela Assembléia", justifica o secretário.

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