Governo De la Rúa não consegue vender avião presidencial
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terça-feira, 25 de janeiro de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 25 (AE) - O presidente Fernando De la Rúa embarcou hoje (25) para a Suécia como um simples passageiro da primeira classe da empresa aérea Lufthansa. A comitiva presidencial de De la Rúa é a menor de toda a história do país: nove pessoas irão com ele, das quais somente quatro o acompanharão na primeira classe. O resto terá que se conformar e ir na classe turística. A decisão de prescindir do luxuoso Boeing 757 presidencial, o folclórico "Tango 01", se deve à política de austeridade implementada por De la Rúa, que nas eleições do ano passado, prometeu vender o avião.
Mas prometer nem sempre implica em cumprir, mais ainda quando depois de dois meses com o cartaz "vende-se", não apareceu nenhum comprador disposto a pagar os US$ 66 milhões que o país pagou pelo aparelho em 1992. Especialistas calculam que os potenciais compradores poderiam conseguir um Boeing totalmente equipado, novinho em folha, pelo mesmo preço. Para atraí-los, somente fazendo um desconto, vendendo-o pela bagatela de US$ 25 milhões.
O affaire do Tango 01 envolveu os ministros em uma discussão: o chefe de gabinete, Rodolfo Terragno, sustenta que o avião é um símbolo de gastos absurdos, e promete que será oferecido em licitação. O chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini argumentou que enquanto se discute o futuro do aparelho, o Boeing precisa ser utilizado. "Se não houver jeito, terá que ficar para uso do presidente", disse o vice-presidente Carlos "Chacho" álvarez.
O Boeing presidencial tornou-se para os argentinos um símbolo da excesso de gastos que caracterizou o governo do ex-presidente Carlos Menem, que o adquiriu. Além de diversos amigos presidenciais que transportava fora de missões oficiais, o avião chegou a levar como único passageiro um bolo de aniversário para Menem desde Buenos Aires até La Rioja, sua província natal.
Menem o utilizou intensamente: de cada 23 dias que esteve no governo, voou nele durante todo um dia, em um total de 158 dias. Para seu conforto, o equipou com uma suite com cama de casal, um banheiro privado com ducha e torneiras douradas e uma sala de jantar para seis pessoas, entre outras comodidades. Mas o principal destaque foi a cadeira de cabeleireiro onde cuidava-se do intrincado penteado do ex-presidente.
Não só De la Rúa, mas também o vice-presidente álvarez quer demonstrar austeridade: apesar dos protestos da esposa, decidiu que a família vice-presidencial continuaria morando no apartamento de dois quartos e sala no setor mais barato do bairro de Palermo. Além disso, nesta semana, após uma reunião com a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Congresso
álvarez trasladou-se até a Casa Rosada, sede do governo, em um prosaico vagão de metrô. A piada que circulou imediatamente era que o modesto transporte era o primeiro resultado do enorme ajuste fiscal exigido pelo FMI.


