Paris, 16 (AE) - Nesses últimos dois anos, o governo socialista do primeiro ministro Lionel Jospin obteve receitas com privatizações muito superiores a todos os demais governos anteriores de direita ou esquerda batendo o recorde de privatizações no país.
Para o Estado francês , o saldo das operações realizadas a partir de 1981 (quando a esquerda assumiu o poder) até hoje é dos mais positivos, registrando-se uma mais valia de 116 bilhões de francos, cerca de 19 bilhões de dólares. Esse resultado incorpora as duas mais recentes privatizações, a dos grupos bancários Crédit Lyonnais (45 bilhões de francos) e do Crédit Foncier (4,5 bilhões de francos).
Só as operações de privatizações do governo Lionel Jospin permitiram ao tesouro francês arrecadar 175 bilhões de um total de 380 bilhões de francos, resultado que nenhum outro governo, mesmo liberal, pôde obter isoladamente.
Também as receitas obtidas com as vendas das empresas públicas são nitidamente superiores ao custo das nacionalizações autorizadas pelos governos de esquerda e que administraram o país durante o período 1981-1982, ainda no primeiro mandato do presidente François Mitterrand. Dessa forma, o governo socialista francês está concluindo a primeira fase do programa de privatizações lançado por governos liberais de direita, dispondo de uma carteira em bolsa de 400 bilhões de francos.
Lionel Jospin que em sua campanha havia prometido suspender o programa de privatizações acabou sendo o chefe de governo que mais privatizou na França, superando um dos principais apóstolos do programa de privatizações, responsável por seu lançamento, o ex-primeiro-ministro liberal, Edouard Balladur. Alias, Balladur contesta os números publicados em relação à capitalização em bolsa, segundo ele, 600 bilhões de francos na gestão da direita , mas cala-se em relação à receita global das privatizações.
Essa performance não era esperada por ninguém. O primeiro ministro soube manobrar com seus parceiros de esquerda, principalmente os comunistas que participam do governo, evitando utilizar a palavra privatização, mas privilegiando a expressão "abertura de capital".
Jospin procurou neutralizar as críticas advertindo sempre para o interesse industrial do país. Dessa forma ele encaminhou as privatizações de importantes grupos industriais , tais como Thomson CSF, Aerospatiale, Matra, France Telecom, Air France. Grupos como Renault, Saint Gobain e Usinor aproveitaram a ocasião para promover também uma reestruturação. Na área bancária , os resultados foram menos significativos, mas a responsabilidade está sendo atribuída à má gestão e mesmo a incúria de alguns de seus dirigentes.
A utilização das receitas de privatização do total de 380 bilhões de francos (63 bilhões de dólares) arrecadados nessa primeira fase do programa de privatizações, 70 bilhões de francos foram empregados em operações para reduzir a dívida do Estado; uma outra parte contribui para alimentar as despesas correntes do Estado, mas o essencial serviu para recapitalizar as empresas públicas. Entre junho de 1997, quando Lionel Jospin assumiu a chefia do governo e dezembro de 1998, 91,5 bilhões de francos foram arrecadados pelo Estado com as privatizações de France Telecom e a Caixa Nacional de Previdência. As somas atribuídas às empresas públicas foram da mesma ordem, sendo a principal beneficiária a rede ferroviária francesa, 23 bilhões de francos. A receita obtida pela privatização de France Telecom serviu também para socorrer o banco Crédit Lyonnais, antes de sua privatização e indústrias como Thomson, Giat, Multimédia.

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