O governo de Alagoas requisitou ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso o envio de tropas do Exército ao Estado, que enfrenta uma greve de policiais militares e civis desde anteontem à noite pedindo aumento salarial.
Segundo o governador Ronaldo Lessa (PSB), que falou com FHC às 17h20 e enviou o pedido formal às 19h25, a requisição foi aceita. Será a segunda intervenção militar do Exército no patrulhamento de Estados com greve de polícias em uma semana -na sexta-feira passada, tropas foram à Bahia tentar conter a onda de saques e violência decorrentes da paralisação, que terminou ontem.
A decisão decorreu do agravamento da crise, na manhã de ontem. Os oficiais da Polícia Militar de Alagoas decidiram aderir à greve de seus subordinados e dos policiais civis.
Com o aval dos superiores, os grevistas se entusiasmaram e fizeram manifestações. O quartel central do Corpo de Bombeiros foi invadido pelos manifestantes, que comemoraram com rojões. Tiros teriam sido disparados para o alto, segundo testemunhas.
Com uma bandeira do PT à frente, cerca de mil grevistas realizaram uma passeata no centro da cidade. Em um carro de som, pediram aos turistas que deixassem o Estado, alegando que corriam risco por falta de segurança.
Parte das lojas fechou durante a passagem dos policiais, abrindo à tarde. O protesto terminou em frente ao Palácio do Governo, onde os líderes do movimento voltaram a cobrar do Estado melhores salários e condições de trabalho. Lessa estava em Mata Grande, no interior, e teve de voltar à capital.
Durante a madrugada, três agências bancárias foram atingidas por tiros disparados por desconhecidos. Na superintendência do Banco do Brasil, três projéteis quebraram vidros do prédio.
De manhã, o Sindicato dos Bancos de Alagoas se reuniu e recomendou que as instituições entrassem em estado de alerta.
O secretário estadual da Defesa Social, Mário Pedro dos Santos, disse que a greve era parcial e que o movimento na PM atingia apenas 50% do efetivo de 7.500 homens. A Polícia Civil afirmou que somente 5 das 27 delegacias da capital não funcionaram ontem.
Diferentemente do que ocorreu em Salvador, nenhum dos grevistas estava encapuzado ou ostentando armas. Os manifestantes foram orientados a comparecer ao local de trabalho e permanecer parados até o final de seus expedientes.

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