Governo da Tailândia aprova pacote para estimular economia
Bangcoc, 10 (AE-AP) - O governo da Tailândia aprovou hoje (10) o terceiro pacote multimilionário de estímulo à economia, que prevê a injeção de mais de US$ 2 bilhões para ampliar a oferta de crédito e evitar que o país entre em recessão.
Conforme dados preliminares, o plano reduz alíquotas de importação incidentes sobre 625 produtos, autoriza as companhias a retardar o pagamento de impostos até fevereiro de 2000 e dá incentivos à concessão de crédito para as pequenas e médias empresas.
A relutância dos bancos locais em fazer empréstimos à empresas tailandesas desde a crise financeira que abalou a ásia em 1997 é um dos principais entraves para o desenvolvimento da economia do país.
O alto custo de produção também deverá ser atacado pelo pacote, que prevê a cobrança de imposto menor sobre centenas de itens importados.
Para o analista-chefe do ING Barings em Bangcoc, Kenneth Ng, "a iniciativa é importante para repor a economia nos trilhos". Segundo ele, "desta vez as autoridades estão agindo da forma correta, reduzindo o imposto de importação para estimular as empresas e a demanda" interna.
Na avaliação do economista do INB Barings, a recuperação proporcionada unicamente pelas exportações é hoje insuficiente, por isso é necessário criar uma forte economia interna para assegurar a retomada do crescimento.
"É isso que está sendo feito na Tailândia, pois as autoridades não limitaram o pacote de estímulo às tradicionais iniciativas para recuperar o mercado imobiliário, mas preocuparam-se em reduzir os custos de produção, especialmente barateando matérias-primas, bens de capital, fertilizantes, medicamentos, alimentos e produtos químicos importados."
Sriyan Pieterz, chefe de pesquisas do SG Asia Credit, em Bagcoc, observou ainda que os recursos não serão injetados na economia de uma só vez, o que poderia ter efeitos macroeconômicos danosos, mas levará de três a seis meses para produzir resultados.
Conforme Nuchajarin Kasemsukworarat, do SCB Book Clube Securities, as medidas também deverão contribuir para resgatar a confiança do público na economia do país, mas alertou: "O país poderá ficar mais vulnerável a uma provável alta de juros nos Estados Unidos ou até à desvalorização do yuan chinês."
O pacote prevê a criação de um fundo de equity no valor inicial de US$ 500 milhões para as grandes empresas e para as em processo de reestruturação. Esse fundo será criado pelo International Finance Corporation, entidade do Banco Mundial.
Boa parte dos recursos do pacote deverá ser usada para a reestruturação das dívidas das empresas. O Banco de Desenvolvimento Asiático e o Fundo de Cooperação Econômica Estrangeira do Japão também vão fornecer US$ 100 milhões para dar novo impulso às médias empresas. O governo anunciou ainda medidas para o setor imobiliário.





