Curitiba - Fracassou a primeira tentativa de negociação entre o governo do Estado e as cerca de 40 famílias sem-teto que ocupam um prédio que pertencia ao Banestado no centro de Curitiba. Uma comissão de representantes do governo esteve ontem no local para discutir o processo de desocupação do imóvel, mas o líder do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Anselmo Schwertner, negou-se a debater o assunto enquanto outras reivindicações do grupo não forem incluídas na pauta de discussões.
O grupo ocupa o imóvel desde o dia 7 de junho. Na segunda-feira, foi publicada a decisão do juiz da 14 Vara Cível de Curitiba, que determinou a reintegração de posse e a retirada dos sem-teto. Pela decisão, os sem-teto têm até as 18 horas de hoje para deixar o prédio antes que a decisão da Justiça seja cumprida pela Polícia Militar (PM).
Para Schwertner, os sem-teto precisam de mais prazo para deixar o imóvel e a definição do local para onde as famílias serão acomodadas. ''Se tirarem de qualquer jeito, isso vai ser um vexame, porque vamos ter que acampar na frente do prédio. Não temos para onde ir'', afirmou.
O líder da ocupação afirmou também que outros pontos devem ser discutidos antes dos sem-teto deixarem o local. ''Queremos discutir o problema da falta de moradia em Curitiba e apresentar o projeto de transformar esse prédio, que não está sendo utilizado, para a instalação de uma escola de cooperativismo para a população urbana'', argumentou.
O vice-presidente da comissão de negociação, Mauro Pirolo, afirmou que os sem-teto serão retirados, mas que o governo tentará esgotar todas as saídas diplomáticas antes de utilizar a polícia para a desocupação. ''Queremos evitar o conflito'', afirmou. Não há data prevista para a desocupação.

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