Salvador, 28 (AE) - Os cerca de 300 comerciantes de Coroa Vermelha, município de Santa Cruz Cabrália, no extremo sul da Bahia, tem até o dia 10 de maio para sair da orla do município, onde estão instalados há mais de oito anos. O prazo foi definido pelo ministro do Turismo, Rafael Greca, que visitou o local na semana passada durante as comemorações do Dia do Descobrimento. Coroa Vermelha, uma antiga reserva dos índios pataxós, é apontado como o local onde foi celebrada a primeira missa no Brasil.
O ultimato de Greca deixou os comerciantes revoltados porque, de acordo com o ministro, o governo não vai indenizar ninguém. A área integra os 66 hectares onde deve ser instalado o Museu do Descobrimento, projeto inserido nas comemorações dos 500 anos do Descobrimento, no ano 2000.
Os comerciantes chegaram na região no início dos anos 90. Compraram as terras dos índios, instalando bares, restaurantes e pousadas. Somente no ano passado, o governo federal homologou Coroa Vermelha como "área indígena", prometendo devolver as terras aos pataxós mas, indenizando os proprietários. De acordo com o Movimento de Defesa de Coroa Vermelha, criado pelos comerciantes, o ministro Greca não falou nada sobre indenizações em sua visita ao local.
"Ele disse que nós devíamos tirar nossas tralhas pois as terras pertencem aos índios", reclamou Eneida Gimenes, há oito ano instalada no local. Ela firma que os pequenos empresários investiram tudo que tinham nos negócios em Coroa Vermelha e não podem ficar no prejuízo.
O governo quer construir um shopping num terreno fora das terras dos índios para os comerciantes, mas estes terão de pagar pelas lojas. "Até lá, querem nos colocar numa espécie de camelódromo", disse Eneida. Para ela, os comerciantes estão tendo seus direitos desrespeitados.

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