Governo da Bélgica renuncia após derrota eleitoral
Bruxelas, 14 (AE-AP) - O primeiro-ministro da Bélgica, Jean-Luc Dehaene, renunciou hoje (14) com todo seu gabinete após ter sofrido uma esmagadora derrota nas eleições de domingo para o Parlamento Federal, Parlamentos regionais e Senado. Dehaene era o chefe de governo havia mais tempo no poder na Europa - sete anos. Sua demissão foi aceita pelo Rei Alberto.
O mau resultado da coalizão de governo, formada por partidos de centro-esquerda - democratas-cristãos e socialistas -, foi consequência direta da crise da dioxina, substância cancerígena que contaminou as rações animais. A revelação fez com que vários países banissem de suas prateleiras os produtos belgas e levou à queda de dois ministros, depois que ficou provado que eles sabiam de antemão da contaminação, mas nada fizeram para alertar os consumidores.
Dehaene disse que esperava esse revés por causa dos danos econômicos causados pelo escândalo da dioxina e advertiu que é preciso formar urgentemente um novo governo para lidar com o problema. Em razão da divisão do país em duas poderosas comunidades, a francesa e a flamenga, a costura de uma coalizão de governo costuma levar em média quase 80 dias, pois os partidos têm versões para cada região.
"Eu devo dizer àqueles que vão assumir a responsabilidade pelo próximo governo que o impacto da crise da dioxina na economia, e o prejuízo que causará às empresas, está apenas começando a ser sentido", afirmou o primeiro-ministro demissionário.
Como a votação foi bastante fragmentada, serão necessários pelo menos três ou quatro partidos para formar uma coalizão. "Governar este país está ficando cada vez mais difícil", disse o presidente do Partido Socialista (PS), Philippe Busquin.
Dehaene era conhecido como Senhor Conserto por ter conseguido manter sua coalizão no poder após uma sucessão de escândalos - desde um caso de pedofilia que chocou o país pela incompetência da polícia e do sistema judicial até um de suborno na venda de armamentos, conhecido como Agusta-Dassault. Ele foi hábil, também, em contornar as divergências das comunidadse francesa e a flamenga.
"É tempo de começar a fazer outras coisas. Eu não nasci na política e certamente não vou morrer nela", declarou Dehaene ao apresentar sua renúncia.





